Prorrogado (24/07) Concurso Mini-Contos de Terror

30/06/2010

Atendendo a pedidos e devido ao crescente interesse, estou prorrogando o Concurso de Mini-Contos de Terror.

Lembrando:

Qualquer pessoa pode participar.

Basta enviar um e-mail para larissa@larissacaruso.com com um mini conto, seguindo as seguintes regras:

Tema: Terror ou suspense
Máximo: 1000 caracteres (sem espaço)
Não precisa ser inédito, mas é necessário que seja de sua autoria.
Prazo: Até dia 24 de Julho 2010
Estarei escolhendo os três melhores e publicando-os em nesse blog.

Premiação:

1 lugar:

(01) Exemplar antologia de terror e suspense “Marcas na Parede” autografado por mim
(01) Exemplar antologia de lobisomens “Metamorfose: A Fúria dos Lobisomens” autografado por mim
Publicação do mini conto no blog, indicando o autor e sua classificação

2 lugar:

(01) Exemplar antologia de terror e suspense “Marcas na Parede” autografado por mim
Publicação do mini conto no blog, indicando o autor e sua classificação

3 lugar:

Publicação do mini conto no blog, indicando o autor e sua classificação

Conto com a participação de todos!


Árbitro: Profissão que logo será extinta

30/06/2010

Por: Larissa Caruso

Na Copa do Mundo de 2010, temos visto diversos dilemas relacionados à arbitragem. Os erros foram gritantes.  Tivemos gols ilegais e legais que, se apitados corretamente, poderiam ter decidido partidas.  Infelizmente, devido à falta do uso de recursos tecnológicos para revisão de lances, nada foi feito.

A pergunta que não quer calar é por que a FIFA se recusa a usar esses tipos de recursos durante os jogos.

Na verdade, não é a FIFA que está com medo, mas sim os árbitros. A Abril publicou uma matéria chamada “Uso de tecnologia no futebol divide opinião de árbitros.”, onde, além de falar sobre o assunto polêmico da tecnologia no futebol, os jornalistas também procuraram saber a opinião dos profissionais em questão. Muitos dos ‘homens de preto’ até são a favor da tecnologia, contanto que sejam somente complementos.

Infelizmente, nem sempre esses limites são respeitados. Em todos os setores, os avanços tecnológicos se iniciaram da mesma forma. Primeiro, o equipamento depende de alguém para operá-lo. Depois, homem e máquina começam a trabalhar em conjunto, como colaboradores. Passam-se alguns anos e robôs fazem tudo sozinhos. E então? O que acontece com os juízes, bandeirinhas e assistentes? Tornam-se extintos.

Tentando evitar um cenário como o de Eu, Robô, onde robôs tornam-se ajudantes e empregados enquanto humanos ocupam outras posições mais privilegiadas, os árbitros preferem confiar em seus limitados recursos humanos para não serem substituídos. Seus erros, entretanto, só reforçam a ideia de que é necessário interligar tecnologia e futebol. Dois juízes já foram retirados da Copa por causa de lances polêmicos. E agora, cogita-se dois novos assistentes em campo, posicionados atrás dos gols para validar as jogadas, apesar do encarecimento que tal medida ocasionaria ao orçamento.

Até quando iremos ignorar o óbvio? O avanço é inevitável e a extinção: iminente. Logo teremos árbitros R2-D2-2022 em campo, apitando jogos com imparcialidade e precisão. Nesse dia, até mesmo a bola tech será passado.


Lançamento: Lázarus – Romance de Georgette Silen

29/06/2010

Georgette Silen lançará seu primeiro romance, que será publicado pela Editora Novo Século.

Data Prevista para o Lançamento: 31 de Julho de 2010

Local: Saraiva Megastore do Shopping Center Norte em São Paulo

Sinopse:

Mistério, romance, alta tecnologia, sangue e morte passam a cercar a vida de Laura Vargas, museóloga brasileira, após ela aceitar um surpreendente e inesperado convite para assumir o cargo de curadora de arte no The City Museum of Art and Gallery, em Bristol, sudoeste da Inglaterra, a cidade natal da família de seu pai. Disposta a começar uma nova vida ao lado da filha adolescente, Cinthia, Laura se surpreende ao descobrir que nem todos são aquilo que aparentam ser e que a eternidade é muito mais do que um conceito, ou uma simples palavra, quando ela encontra o Lázarus e recebe dele o seu “dom”. Agora, Laura precisa fugir de seus perseguidores, interessados em obter a “cura” milagrosa para todos os males, o dom ofertado pela misteriosa criatura lendária, e que se concentra em seu sangue.

A saga será dividida em 4 volumes, e o primeiro terá como sua prefaciadora a autora Helena Gomes, da saga da Caverna de Cristais e outros grandes livros.

O livro com desconto e autografado por Georgette Silen já está disponível para pré-venda. Informe-se através da comunidade do orkut ou do site.

Estamos ansiosos para este grande lançamento!

Comunidade do livro no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=102845750

Site do livro: http://sagalazarus.blogspot.com/

Boa sorte, Georgette!


EXÉRCITO DE HULKS

23/06/2010

Por: Larissa Caruso

Já perceberam o crescente comportamento violento que assola nossa sociedade? As pessoas tornam-se irritadas facilmente e acabam por cometer barbaridades impensadas que normalmente lamentam ao recuperar o controle de suas emoções. Pois, o que até o momento era considerado um simples problema relacionado ao stress, agora possui outra explicação.

A Folha Online publicou ontem um artigo chamado: “Raios gama são emitidos entre nuvens no início de relâmpagos”. Radiação gama é um tipo de radiação eletromagnética capaz de penetrar na matéria profundamente, causando danos nos núcleos das células. Esses raios, segundo Stan Lee, também foram os responsáveis pela transformação de Bruce Banner em Hulk.

Você deve estar se perguntando: “E o que isso tem a ver comigo?”

Bom, qualquer pessoa que tenha feito uma viagem de avião e passado dentre nuvens de uma tempestade pode, de acordo com o artigo, ter sido banhada pela perigosa radiação emitida durante esse evento. E como as viagens aéreas têm aumentado drasticamente em seu volume, logo observaremos um exército de Hulks andando pelas ruas descontrolados, destruindo tudo ao seu redor. *música macabra de fundo*

Brincadeiras à parte, essa notícia nos mostra que sabemos muito pouco a respeito do universo, da natureza e dos elementos que nos rodeiam. Submetemo-nos ao pior tipo de perigo todos os dias: o desconhecido.

Provavelmente nós não veremos homenzarrões verdes causando caos ao se exaltarem, mas podemos estar criando futuras mutações genéticas que poderão ser tanto benéficas quanto maléficas para a humanidade.

X-Men anyone?


Histórias Fantásticas – Volume 1 – Selecionados

22/06/2010

Ontem, dia 21 de Junho de 2010, saiu a lista de selecionados do Volume 1 da Coletânea Histórias Fantásticas, organizada por Georgette Silen em parceria com a Cidadela Editorial.

Tenho a honra de anunciar que estou entre os 21 selecionados para o primeiro volume. Estou certa que a obra possuirá grande qualidade literária, pois, conheço o trabalho de alguns dos autores presentes e admiro muito eles.

Marcarei presença com o conto “A Batalha Interna” que narra a história de uma bruxa sofrendo diversos tipos de pressão devido ao elo mágico que possui.  Esse conto faz parte do universo de Anátema, meu romance de fantasia misturado com ficção científica. Leia abaixo a sinópse da obra:

Magia, o elo divino entre os elementos da natureza e a humanidade, tornou-se obscuro e corrupto. Aqueles capazes de usá-la, chamados Mar’zis, perdem sua sanidade e, eventualmente, sua vida.  Caçados como animais, finalmente, se rebelam.  Uma sangrenta guerra leva a grandes perdas, e terríveis consequências para o mundo. Derrotados, aqueles denominados bruxos são forçados a impiedosas sentenças de execução pública.

Ainda temidos e procurados, aos poucos, tornam-se raros e perdem sua importância. Os reinos focam sua atenção em direção uns aos outros, como o fizeram tantas vezes no passado, e preparam-se para guerras entre si. Mal sabem, entretanto, que a corrupção cresce, e agora, ameaça o mundo.

Alyvia e Gybriel, inimigos por profissão, encontram uma Mar’zi que precisa de sua ajuda para restabelecer o equilíbrio dos elementos e salvar o planeta. Estará o mundo morrendo? Os sinais são claros. A natureza encontra-se em estado de descontrole. Cachoeiras de fluxo contrário, florestas prateadas e cânions aparecem de um dia para o outro. Se decidirem ajudá-la, não será uma jornada fácil. Além de perseguidos pelas autoridades, serão também caçados por outras organizações que mantém seus interesses ocultos.

Ler a Obra

Lista dos Selecionados:

Flávio de Souza
Marcelo Luiz Bigheti
Leonardo Pezzella
Armin Daniel Reichert
Rubens Alves
Adolph Kliemann
Mário Carneiro Jr.
Renato A. Azevedo
Luis Teodósio
Anderson Henrique
Marcelo Augusto
Daniel de Medeiros
Cirilo S. Lemos
Christian David
Willian Riciaridi
Tânia Souza
Larissa Caruso
Jota Marques
Leandro Reis
Ana Lucia Merenge
Marcelo Jacinto Ribeiro

Prefácio e autor convidado: M. D. Amado

Mais informações em breve!


Clube do Livro: Saraiva Center Norte SP

22/06/2010

Georgette Silen, Rober Pinheiro e Renato A. Azevedo serão os mediadores dessa grande iniciativa que levará aos leitores uma interessante discussão sobre Literatura Fantástica. O foco será a obra de Isaac Asimov “Eu, Robô”, mas temos certeza que esse será só o começo de uma ótima tarde literária.

Sobre os mediadores:

Georgette Silen – organizadora das antologias O Grimoire dos Vampiros e UFO – Contos Não identificados. Há pouco tempo formou uma parceria com a Cidadela Editorial para a criação das coletâneas gratuitas Histórias Fantásticas (em 4 volumes, sendo que o volume 2 esta aceitando o envio de contos para serem avaliados). Recentemente anunciou a publicação de seu livro impresso “Lázarus” pela Editora Novo Século.

Rober Pinheiro – Autor do romance de fantasia moderna “Lordes de Thargor” e autor convidado de diversas coletâneas (Extraneus – Medieval Sci-Fi, Histórias Fantásticas 2, etc.)

Renato A. Azevedo – Autor do livro de ficção científica “De Roswell a Varginha” pela Tarja Editorial, consultor da Revista Ufo e autor convidado de diversas coletâneas (Extraneus – Medieval Sci-Fi, UFO – Contos Não Identificados, etc.)


DIFÍCIL RECOMEÇO… OU TALVEZ NÃO.

21/06/2010

Por: Larissa Caruso

O homem de estatura baixa, com uma barriga proeminente, abriu a porta do hangar, dando um passo em direção à rua. Seus poucos cabelos esvoaçavam com brisa vespertina da cidade de Austin, Texas. Com olhos curiosos, ele observou aqueles que residiam em seu novo lar. A escolha de vestuário da maioria dos habitantes era limitada. Ao examinar mais de perto, percebeu a inexistência de qualquer tipo de ferramenta que os proporcionasse com uma mudança rápida de roupa. Olhou para o pequeno botão azul no colarinho de sua camisa e tentou se imaginar um dia inteiro sem modificar suas vestimentas de acordo com a ocasião, ou o clima. Faz uma careta, condenando tal possibilidade.

Virou-se para examinar a vitrine de uma loja e, examinando seu reflexo, percebeu que estava parecido com os terráqueos. Observou o bracelete em seu pulso e amaldiçoou seu destino. Nem assim conseguia sentir-se atraente. Em seu planeta, era visto como um ser pouco viril, devido ao fato de possuir em seu tronco somente três bolsas de armazenamento de ahsuere, o líquido vital para a reprodução de sua espécie. Sendo pequeno e mirrado, não era bem quisto. Aqui, dificilmente seria diferente. Frustrado, suspirou, e continuou sua caminhada.

O bracelete que usada chamava-se ARC, Alderon Reestruturador Conduíte. Era utilizado para esconder a aparência real dos alienígenas que viviam entre os seres primitivos de planetas menos desenvolvidos. Os humanos nem sequer imaginavam o que os esperava na galáxia a fora. Achavam que a vida se limitava a esse buraco primitivo, quando, na verdade, existia até mesmo um governo que unificava todos os planetas habitados da Via Láctea.

Não havia sido sua escolha mudar-se para a Terra, mas era uma opção melhor quando comparada à prisão Crismaline. A pior parte para ele era, talvez, não ter o contato com a tecnologia que o provia com tanto conforto e conveniência.  Criminosos como ele, poderiam receber uma segunda chance e serem enviados para planetas primitivos, onde trabalhariam em setores públicos menos quistos do governo intergaláctico. Em seu caso, seria o responsável pelo Departamento de Controle de Imigrantes no Centro de Imigração Intergaláctica de Austin. Seu trabalho era manter os alienígenas que moravam na Terra sob controle. Ele os monitoraria para ter certeza que não burlariam ou desrespeitariam as regras impostas pela Confederação de Planetas da Via Láctea.

Com as mãos nos bolsos e um olhar cabisbaixo, ele continuou a caminhar, procurando por algum sinal de tecnologia avançada neste lugar. As propagandas eram feitas com grandes cartazes na rua, extremamente ineficaz e sujo quando comparado ao método holográfico e customizado de muitos planetas. Os meios de transporte eram grandes e limitados ao chão. Os poucos que rondavam os céus faziam barulho demais e pareciam ser incapazes de voar acima de certa altura.

Ouviu um alto assovio e perguntou-se se seu bracelete estava na frequência certa para traduzir a linguagem utilizada por aqueles seres. Olhando em direção ao barulho, percebeu que uma fêmea o observava de maneira intrigada. Perguntou-se se havia esquecido algum comando ou preparação pós-chegada. Suas sobrancelhas arquearam quando ela continuou a fita-lo. Sentiu-se intimidado por aquele tipo de comportamento. Não parecia algo normal.

Gotas de suor escorreram em seu rosto, revelando o nervosismo que se acumulava dentro de si. Direcionando o olhar para frente novamente, apertou o passo, continuando sua caminhada. Dispôs-se a cruzar uma larga avenida, interessado em uma visão diferente do local. Barulhos estrondosos de buzinas soaram de repente, enquanto grandes máquinas zuniram em alta velocidade ao seu redor, ignorando sua presença. Um transporte alto e retangular, que mais parecia um container, quase o acertou, mas ele desviou no último minuto. Correndo para o outro lado, procurou abrigo no conforto daquele piso diferente, mais alto e menos assustador.

Sentia-se ultrajado. Que tipo de lugar era esse que não respeitava os seres que lá habitavam? Deveria ter lhe dado passagem. Poderiam ser mandados para a tão temerosa prisão Crismaline caso fossem responsáveis por uma tragédia. Talvez tivesse sido uma má idéia a decisão de conhecer a vizinhança antes de receber o chip com informações sobre seu novo lar. Estes seres eram difíceis demais de serem decifrados, diferente da maioria dos habitantes de outros planetas que visitara durante sua vida. Seus pensamentos foram interrompidos por uma voz feminina que perguntou:

– Você esta bem?

Ela era uma mulher alta, com duas pequenas bolsas de armazenagem vital na parte superior de seu torso. Não eram muito grandes ou alongadas, mas bonitas o suficiente para alguém como ele. Diferente das fêmeas que convivera, ela as expunha de forma sutil, deixando os dois primeiros botões de sua blusa desabotoados. Pareciam firmes, como se mantidos naquela posição por algum tipo de acessório.

– Oie? Eu estou falando com você. – insistiu a moça, com ligeira exasperação.

– Estou bem. – respondeu ele, incapaz de desviar a atenção dos firmes seios que se encontravam em seu peito.

– Você não parece muito bem. Devo chamar um médico? – ofereceu gentilmente enquanto deu um passo para frente, ficando mais próxima do homem.

Finalmente ele elevou seu olhar ao rosto feminino, fitando-o. A mulher lambeu os lábios, observando-lhe de um jeito quase bestial. Incapaz de responder balançou a cabeça negativamente. Aproveitando a brecha, ela aproximou-se ainda mais, quase colando seu corpo contra o dele. Parecia querer devorá-lo, literalmente. Talvez o tivessem colocado em um planeta carnívoro? Não, não… esses foram banidos da Confederação há muitos séculos atrás.

Ainda sim, não conseguia entender seu comportamento. Era o suor escorrendo em seu corpo, ou talvez a bolsa proeminente na parte inferior do torso em sua aparência humana que o tornava desejável? Antes que pudesse concluir seu raciocínio, sentiu os lábios da fêmea tocando os seus. A língua, molhada e flexível, enfiou-se em sua boca, invadindo-a. Uma mão agarrou sua nuca, forçando-o ainda mais próximo dela.

Queria libertar-se daquela coisa nojenta. Sentia que, cada vez que seu coração aumentava o ritmo, ela se tornava mais determinada a engoli-lo naquele ato sujo e primitivo. Ao mesmo tempo, existia algo que se remexia dentro dele, como se um fogo que aos poucos fosse liberado. Desesperado, empurrou a moça para longe. Em seguida, correu na direção oposta. Precisava voltar para o escritório. Era necessário entender essa raça antes de interagir com eles.

Viu a entrada do seu atual local de trabalho a poucos metros e sentiu-se aliviado. Adentrou o pequeno prédio, fechando a porta com violência. Todos o observaram sem entender o que se passava. Com os olhos arregalados e a respiração ofegante, ele se encostou contra a parede, procurando recuperar-se.

– Sr. Lorns? – perguntou uma mulher de aparência translucida cintilante. Ela flutuava, com seus cabelos lilás balançando como ondas na água.

– Sim? – respondeu ele, tentando parecer em controle da situação.

– Estávamos esperando o senhor há meia hora. – ela informou, estendendo a mão com uma pequena caixa metálica – Aqui está o seu chip e as informações pertinentes ao seu novo cargo. Seja bem vindo.

– Obrigado. – respondeu ele, estufando o peito enquanto pegava o objeto.

– A sua sala é a primeira à esquerda. – informou a mulher, em um tom gentil.

Sem maiores comentários, ele se dirigiu até onde havia sido indicado, entrando no pequeno espaço reservado para ele. Tinha somente 10 metros quadrados, o mesmo tamanho que a maioria dos banheiros em seu planeta. Ainda sim, não podia queixar-se. Pelo menos se sentia seguro lá.

Pegando o pequeno chip de dentro da caixa, ele o examinou por um momento antes de colocá-lo contra sua têmpora esquerda. Assim que o objeto tocou sua pele, tornou-se um liquido viscoso que logo desapareceu. Sentindo-o integrar-se com seu cérebro, ele se sentou, um pouco desorientado. Diante de seus olhos passaram-se imagens e conhecimentos locais, assim como todo o ciclo evolutivo da humanidade.

Em questão de minutos, ele aprendeu sobre os costumes, o vestuário, a geografia… tudo o que um humano deveria saber até seus trinta anos. Sentiu o mesmo fogo de antes tomando seu corpo quando entendeu o significado do que a mulher havia feito. Era um beijo. Algo preliminar ao acasalamento, na maioria das vezes. Aquele tipo de ação não era praticado entre seu povo. Caso estivesse interessada em procriar, bastava que a fêmea demonstrasse seu interesse apalpando com firmeza um dos sacos de armazenamento vital.

Concentrando-se, tentou entender o que havia feito a mulher agir de tal forma. Segundo seus conhecimentos da cultura humana, existia um período de flerte antes da passagem para um ato tão intimo e cheio de libido como um beijo de língua. Pensou no computador central do escritório…qual era seu nome? Lembrando-se, ordenou:

– Lucy, procure a correlação entre o beijo e minha fisiologia.

– Claro, senhor Lorns. – respondeu uma voz feminina computadorizada.

Enquanto esperava o resultado da análise, observou os móveis de seu escritório e também os pertences que lá se encontravam. Teria muito que se adaptar. Seria um difícil recomeço.

Um gráfico apareceu diante de seus olhos, com uma tela ao lado indicando sua composição fisiológica. Circulado em vermelho estava androstadienone, um feromônio responsável pela defesa de sua raça, liberado em alta quantidade durante momentos de estresse intenso. Ao lado, encontrava-se uma ficha informando a composição humana. A explicação sobre a atração que ocorria entre os sexos estava destacada. O texto indicava a mesma substância química como responsável pela produção de um alto nível de cortisol nas fêmeas, diretamente relacionado ao estimulo sexual feminino.

De repente, um leque de possibilidades se abriu diante seus olhos.

– Talvez não seja um recomeço tão difícil assim… – murmurou em voz alta para si mesmo, permitindo que um sorriso aparecesse em seu rosto.

Nota: Esse conto faz parte do universo Nébula de um Buraco Negro, romance policial de ficção científica criado por mim. Lorns é um dos interessantes  funcionários que trabalham no escritório de Logan Marshall, protagonista da obra.

Para ler o romance, clique aqui.