Lançamento: Fúria Lupina – Brasil

18/07/2010

Dia 25 de Setembro de 2010, a partir das 18:00 horas, será o lançamento de Fúria Lupina – Brasil do autor Alfer Medeiros. Este será seu primeiro romance e contará com muito terror e lobisomens.

Local: Bardo Batata – Rua Bela Cintra, 1333 – São Paulo

Sinopse:

A natureza lupina liberta. A natureza humana destrói.

Qual é a origem do mito do lobisomem? Maldição, doença, dom, herança ou eventos aleatórios? Ou será que todas essas hipóteses são aplicáveis?

Em Fúria Lupina – Brasil, as peças do quebra-cabeça são apresentadas no decorrer de algumas décadas. Quando, no ano de 2009, essas peças começam a se encaixar para formar a imagem final, homens e feras aparentemente desconexos entram em uma alucinada rota de colisão, que resultará em sangue, violência e morte.

Uma organização secreta, um grupo ecoterrorista, mercenários, lobisomens com variações de raça e conflitos de natureza humana permeiam toda a trama, que passa por Estados Unidos, México, Noruega, São Paulo e Mato Grosso, finalmente desembarcando na Amazônia brasileira, onde muitos destinos serão traçados.

Você está pronto para descobrir qual é o maior predador do planeta?

Sobre o Autor:

Alfer Medeiros é o pseudônimo de Alexandre J. F. Medeiros, português radicado em São Paulo desde a infância. Apreciador de expressões culturais como literatura, música, cinema e quadrinhos. Analista de sistemas e professor universitário por profissão. Escritor por paixão. Participará da Antologia UFO – Contos Não Identificados da Editora Literata.

Twitter: @alfermedeiros

Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=103471757

Link do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/111800


NOVO MUNDO, NOVA VIDA

05/07/2010

Por: Larissa Caruso

Nota: Esse conto faz parte do universo do romance Nébula de um Buraco Negro, que pode ser lido através do link http://www.larissacaruso.com/nebula.pdf

Um homem alto encontrava-se em uma mesa metálica flutuante, com as finas membranas de seus glóbulos oculares fechadas.  Sua pele azulada possuía um tom esbranquiçado, indicando palidez para os de sua raça. As mãos de caranguejo eram restringidas por duas grandes bolhas de um gel amarelo, que o impediam de usar suas perigosas presas. Os sinais vitais e sua fisiologia eram monitorados por hologramas 3D, que indicavam um estado de repouso estável.

− Tempo estimado para o término de inserção de memórias: dois minutos e trinta e seis segundos. – anunciou o computador para a sala, enquanto os cientistas continuavam seu trabalho.

− E depois, o que ficará faltando? – perguntou o menos experiente, deixando aparentar seu nervosismo.

− Nada. Os pais foram informados de sua morte, juntamente com a de sua irmã. A nova identidade já foi inserida no sistema. Sua memória foi apagada e estamos terminando de reconstruí-la. Assim que finalizarmos a alocação do módulo fantasma em seu cérebro, poderemos liberá-lo.

− Qual seria esse módulo?

Em um tom exasperado, o homem respondeu ao novato:

− É um organismo sintético que inibe as sinapses, limitando a capacidade cognitiva do indivíduo.

O cientista mais jovem assentiu após o término da explicação, distraindo-se com o 3D que mostrava as informações neurais do paciente. Arregalou os olhos ao perceber seu potencial bruto e balançou a cabeça, exclamando:

− Marjeberz! Não é a toa que querem limitar a inteligência desse cara. O potencial bruto dele para desenvolvimento de atividades cognitivas é absurdamente alto.

− Sim. – respondeu o cientista sênior em um tom sombrio

Colocando suas informações na tela principal, ele observou tudo o que dizia seus arquivos e balançou a cabeça:

– Fraude, venda de informações confidenciais, quebra de sigilo profissional, desenvolvimento e venda de tecnologia ilícita, roubo, desvio comportamental, distúrbio psicológico nível 8… Eu não sei por que simplesmente não o levam pra prisão Crismaline, se ele realmente fez tudo o que é relatado em sua ficha.

− Provavelmente eles ainda têm algum plano envolvendo ele. O Centro de Pesquisas Avançadas de Alderon é extremamente frio e calculista. Você sabe bem disso.

− Sim, infelizmente. – confirmou, com um suspiro.

− E pra onde irão leva-lo? – perguntou o rapaz, demonstrando a pena que sentia daquele sujeito deitado em sua maca.

− Confidencial. Um ou dois dentro do CAPA sabem. Provavelmente algum deserto onde ele não possa causar muitos problemas. Talvez um dos planetas do Sistema Solar.

−A Terra? – perguntou, já que este era o único que lembrava.

− Ah. Eles não são estúpidos. Seria arriscado demais para os humanos e para a galáxia.

***

− Preparado para sua nova vida? – perguntou o rapaz da cabine, pegando o chip de dentro da caixa azul-metálica.

− Sim! – respondeu o homem com patas de caranguejo, demonstrando sua empolgação – Finalmente vou poder trabalhar com tecnologia. Eu não acredito nisso! Depois de anos sendo limitado pela minha família.

− Certo. Não se exalte. Os avanços desse planeta ainda são limitados e mesmo o Centro de Imigração não contará com muitos recursos. – advertiu o profissional, oferecendo-lhe seu melhor sorriso artificial.

Levando o chip até a têmpora do rapaz, ele observou o material se dissolvendo contra a pele azulada e inserindo-se dentro de seu cérebro. Logo em seguida, repetiu o processo com outro micro-objeto, colocando-o contra seu peito.

Sentiu seu corpo queimar enquanto seus órgãos vitais eram adaptados à vida naquele novo mundo que faria parte. No monitor 3D, viu algo crescendo dentro de seu torso, criando as modificações necessárias para que sobrevivesse sem ajuda de nenhum outro equipamento.

Assim que a sensação de mal estar o deixou, sabia que estava pronto. Respirou fundo, tentando conter a ansiedade dentro de si. Por anos havia sido privado de uma vida interessante em seu planeta natal. Sabia que possuía um grande potencial, entretanto, seus pais não permitiam que o desenvolvesse. Após a morte da irmã, tornaram-se ainda mais protetores e zelosos.

Sentia-se mal por tê-los deixado às escondidas, mas não tivera outra escolha. Não desperdiçaria todo o tempo que possuía em uma vida sem graça e primitiva. Havia aceitado um trabalho ruim e mal pago, normalmente oferecido à ex-criminosos. Seria maltratado e menosprezado. Nada disso importava para ele, entretanto. Como engenheiro chefe, tomaria conta do centro de pesquisa e finalmente colocaria suas mãos em alguns equipamentos avançados. Mais que isso, estaria ajudando a Confederação de Planetas da Via Láctea a manter a paz e a ordem em seu novo lar.

− Qual o seu nome, rapaz? – perguntou o instrutor, sorrindo de maneira artificial.

− Daelus Poshr. – respondeu, acionando os dedos biônicos de sua pata direita, para poder cumprimenta-lo com um aperto de mão.

O responsável por sua relocação ignorou o gesto, focando sua atenção no pequeno computador de bolso que segurava.

− Certo, certo. O Centro de Imigração já foi informado de sua chegada. Seu pacote de boas vindas e chips informativos estarão com a secretária Mincy Shnoper.

− E para onde estou indo? – perguntou, ansioso.

− Para a Terra.


Lançamento: Neon Azul de Eric Novello

02/07/2010

E a Editora Draco vem aí com mais um incrível lançamento. Podem aguardar que na Fantasticon 2010 (27, 28 e 29 de Agosto), não ouviremos falar somente de Imaginários 3. Teremos também o lançamento do romance de Eric Novello chamado Neon Azul.

Esse promete, hein! Vai para minha lista no skoob!

Sinopse:

Um homem que não dorme nunca. Um advogado com um cramulhão na garrafa. Um assassino que atravessa espelhos. Um escritor que não consegue prender sua personagem no papel. Esses são alguns dos frequentadores de Neon Azul, um bar diferente para cada cliente. Escolha o seu lugar, faça o seu pedido. Depois do primeiro drinque, você jamais será o mesmo.

Neon Azul é uma boate onde habitam os seus mais sombrios desejos e tentações. É um lugar diferente, repleto de acontecimentos estranhos, mas que poderia estar na esquina da sua casa ou no caminho entre o trabalho e o metrô. Enquanto acompanha a história do bar e de funcionários e clientes peculiares, descubra que realizar seus desejos pode ter efeitos colaterais imprevisíveis.

Homens de negócio, prostitutas, artistas e boêmios imersos em uma solidão que só quem passeia pela noite já experimentou, um sentimento comum aos que vivem cercados de gente, com um sorriso no rosto e um copo na mão.

Nesse jogo de luzes e sombras que revelam a fantasia e encobrem a realidade, está nas mãos do leitor a decisão de acreditar ou não no que lê e decidir quem conta as verdades e as mentiras ao longo da história.

Assim como o insone gerente do bar, o leitor terá muito o que lembrar quando deitar na cama e fechar os olhos por própria conta e risco.

Sobre o autor:

Eric Novello adora escrever sobre os bares, boates e inferninhos que permanecem vivos em sua memória. Em sua fase solar, cuida de um gato imaginário e da coleção de vinis de blues que ainda não começou. É roteirista, aficionado por cinema, principalmente o noir. Adoraria ter o que fazer nas horas vagas, mas antes precisa descobrir como consegui-las.

Twitter do autor: @cericn

Link do Livro Neon Azul no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/112501


Necrópolis – Saga Dark Fantasy de Douglas MCT

01/07/2010

Dia 31 de Outubro, dia de Halloween, a Editora Draco lançará o primeiro romance da saga dark-fantasy Necrópolis de Douglas MCT. Já antecipando esse grande lançamento, segue abaixo a sinopse e uma pequena biografia  do autor.

Esse já está na minha lista de aquisição.

Vale a pena conferir!

Sinopse:

No que você acredita?

Verne Vipero em nada fora do normal. Um rapaz cético que confronta sua descrença ao descobrir que pode salvar a alma do irmão morto da inexistência, que segue em direção ao Abismo em outro mundo.

Abalado pela perda e descobrindo uma possibilidade, ele parte para o Reino dos Mortos com um objetivo, quase uma obsessão: trazer Victor, o caçula, de volta a vida.

Necrópolis é uma das regiões de Moabite, o Sétimo de oito Círculos do Universo. Um lugar habitado por criaturas fantásticas e sobrenaturais, onde há planos e subplanos que levam a mundos Etéreos, de Pesadelos e Magia.

Há duas forças opostas: o Ouroboros, o ciclo que permite a renovação da vida; e o Niyanvoyo, onde as almas dão seus passos rumo ao fim.

Aliado a um Monge renegado, um ladrão velocista, uma Mercenária deslumbrante e um assassino que veio dos céus, Verne Vipero parte em uma jornada tenebrosa, do deserto mórbido, uma cidade de pedra, até os confins do mundo, em busca da alma do irmão. Custe o que custar.

Em Necrópolis nada nem ninguém é o que parece ser e a Fronteira das Almas é o fim da travessia.

Sobre o autor:

Douglas MCT nasceu em Socorro, interior de SP, em 1983 e atualmente reside na capital. Cursou Criação e Produção Audiovisual, trabalhou por uma década como Designer Gráfico e no momento atua como Roteirista de games, quadrinhos, animações, filmes e seriados.

Escreveu para os quadrinhos da Turma da Mônica e teve contos publicados nas coletâneas Anno Domini (2008), Território V (2009) e Imaginários 3 (2010). Suas primeiras histórias foram premiadas com o Mapa Cultural Paulista em 2001 e 2003. É criador e roteirista do mangá Hansel.

Troca o dia pela noite e se alimenta de ectoplasma e sangue.

Twitter do autor: @DouglasMCT

Link de Necrópolis no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/112127


Imaginários – Volume 3

01/07/2010

A Editora Draco está com diversos projetos interessantíssimos nesse segundo semestre de 2010 e esse é um que  vale a pena citar!

Imaginários – Volume 3


Será lançado na Fantasticon 2010 (27,28,29 de Agosto) e conta com incríveis autores nacionais. Segue a lista:

  • Ana Cristina Rodrigues
  • Cirilo S. Lemos
  • Douglas MCT
  • Eduardo Spohr
  • Fábio Fernandes
  • Fernando Santos de Oliveira
  • Lidia Zuin
  • Marcelo Ferlin Assami
  • Marcelo Galvão
  • Rober Pinheiro

Lançamento: Lázarus – Romance de Georgette Silen

29/06/2010

Georgette Silen lançará seu primeiro romance, que será publicado pela Editora Novo Século.

Data Prevista para o Lançamento: 31 de Julho de 2010

Local: Saraiva Megastore do Shopping Center Norte em São Paulo

Sinopse:

Mistério, romance, alta tecnologia, sangue e morte passam a cercar a vida de Laura Vargas, museóloga brasileira, após ela aceitar um surpreendente e inesperado convite para assumir o cargo de curadora de arte no The City Museum of Art and Gallery, em Bristol, sudoeste da Inglaterra, a cidade natal da família de seu pai. Disposta a começar uma nova vida ao lado da filha adolescente, Cinthia, Laura se surpreende ao descobrir que nem todos são aquilo que aparentam ser e que a eternidade é muito mais do que um conceito, ou uma simples palavra, quando ela encontra o Lázarus e recebe dele o seu “dom”. Agora, Laura precisa fugir de seus perseguidores, interessados em obter a “cura” milagrosa para todos os males, o dom ofertado pela misteriosa criatura lendária, e que se concentra em seu sangue.

A saga será dividida em 4 volumes, e o primeiro terá como sua prefaciadora a autora Helena Gomes, da saga da Caverna de Cristais e outros grandes livros.

O livro com desconto e autografado por Georgette Silen já está disponível para pré-venda. Informe-se através da comunidade do orkut ou do site.

Estamos ansiosos para este grande lançamento!

Comunidade do livro no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=102845750

Site do livro: http://sagalazarus.blogspot.com/

Boa sorte, Georgette!


DIFÍCIL RECOMEÇO… OU TALVEZ NÃO.

21/06/2010

Por: Larissa Caruso

O homem de estatura baixa, com uma barriga proeminente, abriu a porta do hangar, dando um passo em direção à rua. Seus poucos cabelos esvoaçavam com brisa vespertina da cidade de Austin, Texas. Com olhos curiosos, ele observou aqueles que residiam em seu novo lar. A escolha de vestuário da maioria dos habitantes era limitada. Ao examinar mais de perto, percebeu a inexistência de qualquer tipo de ferramenta que os proporcionasse com uma mudança rápida de roupa. Olhou para o pequeno botão azul no colarinho de sua camisa e tentou se imaginar um dia inteiro sem modificar suas vestimentas de acordo com a ocasião, ou o clima. Faz uma careta, condenando tal possibilidade.

Virou-se para examinar a vitrine de uma loja e, examinando seu reflexo, percebeu que estava parecido com os terráqueos. Observou o bracelete em seu pulso e amaldiçoou seu destino. Nem assim conseguia sentir-se atraente. Em seu planeta, era visto como um ser pouco viril, devido ao fato de possuir em seu tronco somente três bolsas de armazenamento de ahsuere, o líquido vital para a reprodução de sua espécie. Sendo pequeno e mirrado, não era bem quisto. Aqui, dificilmente seria diferente. Frustrado, suspirou, e continuou sua caminhada.

O bracelete que usada chamava-se ARC, Alderon Reestruturador Conduíte. Era utilizado para esconder a aparência real dos alienígenas que viviam entre os seres primitivos de planetas menos desenvolvidos. Os humanos nem sequer imaginavam o que os esperava na galáxia a fora. Achavam que a vida se limitava a esse buraco primitivo, quando, na verdade, existia até mesmo um governo que unificava todos os planetas habitados da Via Láctea.

Não havia sido sua escolha mudar-se para a Terra, mas era uma opção melhor quando comparada à prisão Crismaline. A pior parte para ele era, talvez, não ter o contato com a tecnologia que o provia com tanto conforto e conveniência.  Criminosos como ele, poderiam receber uma segunda chance e serem enviados para planetas primitivos, onde trabalhariam em setores públicos menos quistos do governo intergaláctico. Em seu caso, seria o responsável pelo Departamento de Controle de Imigrantes no Centro de Imigração Intergaláctica de Austin. Seu trabalho era manter os alienígenas que moravam na Terra sob controle. Ele os monitoraria para ter certeza que não burlariam ou desrespeitariam as regras impostas pela Confederação de Planetas da Via Láctea.

Com as mãos nos bolsos e um olhar cabisbaixo, ele continuou a caminhar, procurando por algum sinal de tecnologia avançada neste lugar. As propagandas eram feitas com grandes cartazes na rua, extremamente ineficaz e sujo quando comparado ao método holográfico e customizado de muitos planetas. Os meios de transporte eram grandes e limitados ao chão. Os poucos que rondavam os céus faziam barulho demais e pareciam ser incapazes de voar acima de certa altura.

Ouviu um alto assovio e perguntou-se se seu bracelete estava na frequência certa para traduzir a linguagem utilizada por aqueles seres. Olhando em direção ao barulho, percebeu que uma fêmea o observava de maneira intrigada. Perguntou-se se havia esquecido algum comando ou preparação pós-chegada. Suas sobrancelhas arquearam quando ela continuou a fita-lo. Sentiu-se intimidado por aquele tipo de comportamento. Não parecia algo normal.

Gotas de suor escorreram em seu rosto, revelando o nervosismo que se acumulava dentro de si. Direcionando o olhar para frente novamente, apertou o passo, continuando sua caminhada. Dispôs-se a cruzar uma larga avenida, interessado em uma visão diferente do local. Barulhos estrondosos de buzinas soaram de repente, enquanto grandes máquinas zuniram em alta velocidade ao seu redor, ignorando sua presença. Um transporte alto e retangular, que mais parecia um container, quase o acertou, mas ele desviou no último minuto. Correndo para o outro lado, procurou abrigo no conforto daquele piso diferente, mais alto e menos assustador.

Sentia-se ultrajado. Que tipo de lugar era esse que não respeitava os seres que lá habitavam? Deveria ter lhe dado passagem. Poderiam ser mandados para a tão temerosa prisão Crismaline caso fossem responsáveis por uma tragédia. Talvez tivesse sido uma má idéia a decisão de conhecer a vizinhança antes de receber o chip com informações sobre seu novo lar. Estes seres eram difíceis demais de serem decifrados, diferente da maioria dos habitantes de outros planetas que visitara durante sua vida. Seus pensamentos foram interrompidos por uma voz feminina que perguntou:

– Você esta bem?

Ela era uma mulher alta, com duas pequenas bolsas de armazenagem vital na parte superior de seu torso. Não eram muito grandes ou alongadas, mas bonitas o suficiente para alguém como ele. Diferente das fêmeas que convivera, ela as expunha de forma sutil, deixando os dois primeiros botões de sua blusa desabotoados. Pareciam firmes, como se mantidos naquela posição por algum tipo de acessório.

– Oie? Eu estou falando com você. – insistiu a moça, com ligeira exasperação.

– Estou bem. – respondeu ele, incapaz de desviar a atenção dos firmes seios que se encontravam em seu peito.

– Você não parece muito bem. Devo chamar um médico? – ofereceu gentilmente enquanto deu um passo para frente, ficando mais próxima do homem.

Finalmente ele elevou seu olhar ao rosto feminino, fitando-o. A mulher lambeu os lábios, observando-lhe de um jeito quase bestial. Incapaz de responder balançou a cabeça negativamente. Aproveitando a brecha, ela aproximou-se ainda mais, quase colando seu corpo contra o dele. Parecia querer devorá-lo, literalmente. Talvez o tivessem colocado em um planeta carnívoro? Não, não… esses foram banidos da Confederação há muitos séculos atrás.

Ainda sim, não conseguia entender seu comportamento. Era o suor escorrendo em seu corpo, ou talvez a bolsa proeminente na parte inferior do torso em sua aparência humana que o tornava desejável? Antes que pudesse concluir seu raciocínio, sentiu os lábios da fêmea tocando os seus. A língua, molhada e flexível, enfiou-se em sua boca, invadindo-a. Uma mão agarrou sua nuca, forçando-o ainda mais próximo dela.

Queria libertar-se daquela coisa nojenta. Sentia que, cada vez que seu coração aumentava o ritmo, ela se tornava mais determinada a engoli-lo naquele ato sujo e primitivo. Ao mesmo tempo, existia algo que se remexia dentro dele, como se um fogo que aos poucos fosse liberado. Desesperado, empurrou a moça para longe. Em seguida, correu na direção oposta. Precisava voltar para o escritório. Era necessário entender essa raça antes de interagir com eles.

Viu a entrada do seu atual local de trabalho a poucos metros e sentiu-se aliviado. Adentrou o pequeno prédio, fechando a porta com violência. Todos o observaram sem entender o que se passava. Com os olhos arregalados e a respiração ofegante, ele se encostou contra a parede, procurando recuperar-se.

– Sr. Lorns? – perguntou uma mulher de aparência translucida cintilante. Ela flutuava, com seus cabelos lilás balançando como ondas na água.

– Sim? – respondeu ele, tentando parecer em controle da situação.

– Estávamos esperando o senhor há meia hora. – ela informou, estendendo a mão com uma pequena caixa metálica – Aqui está o seu chip e as informações pertinentes ao seu novo cargo. Seja bem vindo.

– Obrigado. – respondeu ele, estufando o peito enquanto pegava o objeto.

– A sua sala é a primeira à esquerda. – informou a mulher, em um tom gentil.

Sem maiores comentários, ele se dirigiu até onde havia sido indicado, entrando no pequeno espaço reservado para ele. Tinha somente 10 metros quadrados, o mesmo tamanho que a maioria dos banheiros em seu planeta. Ainda sim, não podia queixar-se. Pelo menos se sentia seguro lá.

Pegando o pequeno chip de dentro da caixa, ele o examinou por um momento antes de colocá-lo contra sua têmpora esquerda. Assim que o objeto tocou sua pele, tornou-se um liquido viscoso que logo desapareceu. Sentindo-o integrar-se com seu cérebro, ele se sentou, um pouco desorientado. Diante de seus olhos passaram-se imagens e conhecimentos locais, assim como todo o ciclo evolutivo da humanidade.

Em questão de minutos, ele aprendeu sobre os costumes, o vestuário, a geografia… tudo o que um humano deveria saber até seus trinta anos. Sentiu o mesmo fogo de antes tomando seu corpo quando entendeu o significado do que a mulher havia feito. Era um beijo. Algo preliminar ao acasalamento, na maioria das vezes. Aquele tipo de ação não era praticado entre seu povo. Caso estivesse interessada em procriar, bastava que a fêmea demonstrasse seu interesse apalpando com firmeza um dos sacos de armazenamento vital.

Concentrando-se, tentou entender o que havia feito a mulher agir de tal forma. Segundo seus conhecimentos da cultura humana, existia um período de flerte antes da passagem para um ato tão intimo e cheio de libido como um beijo de língua. Pensou no computador central do escritório…qual era seu nome? Lembrando-se, ordenou:

– Lucy, procure a correlação entre o beijo e minha fisiologia.

– Claro, senhor Lorns. – respondeu uma voz feminina computadorizada.

Enquanto esperava o resultado da análise, observou os móveis de seu escritório e também os pertences que lá se encontravam. Teria muito que se adaptar. Seria um difícil recomeço.

Um gráfico apareceu diante de seus olhos, com uma tela ao lado indicando sua composição fisiológica. Circulado em vermelho estava androstadienone, um feromônio responsável pela defesa de sua raça, liberado em alta quantidade durante momentos de estresse intenso. Ao lado, encontrava-se uma ficha informando a composição humana. A explicação sobre a atração que ocorria entre os sexos estava destacada. O texto indicava a mesma substância química como responsável pela produção de um alto nível de cortisol nas fêmeas, diretamente relacionado ao estimulo sexual feminino.

De repente, um leque de possibilidades se abriu diante seus olhos.

– Talvez não seja um recomeço tão difícil assim… – murmurou em voz alta para si mesmo, permitindo que um sorriso aparecesse em seu rosto.

Nota: Esse conto faz parte do universo Nébula de um Buraco Negro, romance policial de ficção científica criado por mim. Lorns é um dos interessantes  funcionários que trabalham no escritório de Logan Marshall, protagonista da obra.

Para ler o romance, clique aqui.