Lançamento: Necrópolis – A Fronteira das Almas

07/10/2010

Recebi hoje o convite para esse grande evento e, apesar de já termos feito algumas chamadas no blog, volto a falar sobre o Necrópolis.

Dia 07 de Novembro a partir das 15:30 horas teremos o lançamento do livro Necrópolis – A Fronteira Das Almas do autor Douglas MCT que será publicado pela Editora Draco.

O evento será na Livraria Martins Fontes Paulista (Avenida Paulista, 509 – em frente a estação Brigadeiro do metrô)

Será uma ótima oportunidade para prestigiar o autor e ver exatamente do que se trata esse romance dark fantasy.

Para não deixá-los só na espectativa, ai vai a sinopse:

Em Necrópolis – A Fronteira das Almas, romance de Douglas MCT, Verne Vipero irá até os confins de um mundo fantástico em sua jornada tenebrosa para resgatar a alma do irmão. Em Necrópolis nada é o que parece e a Fronteira das Almas é o fim da travessia.

Verne Vipero não acredita em nada fora do normal. É um rapaz cético que confronta sua descrença ao descobrir que pode salvar a alma do irmão morto, que segue em direção ao Abismo. Abalado pela perda e descobrindo essa possibilidade, parte para o Mundo dos Mortos com um objetivo, quase uma obsessão: trazer Victor, o caçula, de volta à vida. Custe o que custar.

Em Necrópolis – A Fronteira das Almas, romance de Douglas MCT, o leitor acompanha Verne Vipero a Necrópolis, uma das regiões de Moabite, o Sétimo dos Oito Círculos do Universo. Um lugar habitado por criaturas sobrenaturais como duendes, vampiros, reptilianos e centauros. Onde há planos que levam a mundos Etéreos, de Pesadelos e Magia. Um lugar regido por forças opostas: o Ouroboros, que permite a renovação da vida; e o Niyanvoyo, onde as almas dão seus passos rumo ao fim.

Aliado a um monge renegado, um ladrão velocista, uma mercenária deslumbrante e um homem-pássaro suspeito, Verne conhecerá um deserto mórbido, um abrigo de magos e uma cidade de pedra, e irá até os confins do mundo em sua jornada tenebrosa para resgatar a alma do irmão. Em Necrópolis nada é o que parece e a Fronteira das Almas é o fim da travessia.

 

Twitter do autor: @DouglasMCT

Livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/112127-necropolis


Nova data: Lançamento Lázarus de Georgette Silen

28/07/2010

O lançamento do livro Lázarus da autora Georgette Silen possui nova data!

Será dia 28 de Agosto a partir das 19 horas na Saraiva Megastore do Shopping Center Norte.

Haverá um bate papo com o autor Adriano Siqueira sobre vampiros.

Compareçam!


Lançamento: Cyber Brasiliana de Richard Diegues

16/07/2010

Cyber Brasiliana, o novo romance sci-fi de Richard Diegues será lançado pela Tarja Editorial dia 22 de Julho a partir das 19 horas na Saraiva MegaStore do Shopping Pátio Paulista.

Vejam o release no site da Tarja: http://tarjaeditorial.com.br/tarja/?p=167

Leiam um trecho da obra: http://www.tarjaeditorial.com.br/tarja/amostras/Cyber_Amostra.pdf

Sobre o autor:

Richard Dieguesé escritor, editor e consultor tecnológico. Atualmente mora na cidade de São Paulo. Autor dos livros: Magia – Tomo I (1997), Sob a Luz do Abajur (2007)Tempos de AlgóriA (2010). Também é organizador e coautor dos livros Necrópole – Histórias de Vampiros (2005), Visões de São Paulo (2006), Necrópole – Histórias de Fantasmas (2006), Histórias do Tarô (2007), Necrópole – Histórias de Bruxaria (2007), de quatro volumes daColeção Paradigmas (2009/2010), além de co-autor dos livros Portal Fundação (2009), Livro Vermelho dos Vampiros (2009), Imaginários 1 (2009) e Cyberpunk – Histórias de Um Futuro Extraordinário (2010). Colaborou com diversos jornais, revistas e sites da Internet, além de participar ativamente de eventos na área de Literatura Fantástica.

Twitter do autor: @richarddiegues

Livro no skoob: http://www.skoob.com.br/livro/115329

Alguns locais onde comprar:

Livraria Cultura (com desconto no programa +Cultura)

Livraria Saraiva

Livraria Siciliano

Tarja Livros


Lançamento: Neon Azul de Eric Novello

02/07/2010

E a Editora Draco vem aí com mais um incrível lançamento. Podem aguardar que na Fantasticon 2010 (27, 28 e 29 de Agosto), não ouviremos falar somente de Imaginários 3. Teremos também o lançamento do romance de Eric Novello chamado Neon Azul.

Esse promete, hein! Vai para minha lista no skoob!

Sinopse:

Um homem que não dorme nunca. Um advogado com um cramulhão na garrafa. Um assassino que atravessa espelhos. Um escritor que não consegue prender sua personagem no papel. Esses são alguns dos frequentadores de Neon Azul, um bar diferente para cada cliente. Escolha o seu lugar, faça o seu pedido. Depois do primeiro drinque, você jamais será o mesmo.

Neon Azul é uma boate onde habitam os seus mais sombrios desejos e tentações. É um lugar diferente, repleto de acontecimentos estranhos, mas que poderia estar na esquina da sua casa ou no caminho entre o trabalho e o metrô. Enquanto acompanha a história do bar e de funcionários e clientes peculiares, descubra que realizar seus desejos pode ter efeitos colaterais imprevisíveis.

Homens de negócio, prostitutas, artistas e boêmios imersos em uma solidão que só quem passeia pela noite já experimentou, um sentimento comum aos que vivem cercados de gente, com um sorriso no rosto e um copo na mão.

Nesse jogo de luzes e sombras que revelam a fantasia e encobrem a realidade, está nas mãos do leitor a decisão de acreditar ou não no que lê e decidir quem conta as verdades e as mentiras ao longo da história.

Assim como o insone gerente do bar, o leitor terá muito o que lembrar quando deitar na cama e fechar os olhos por própria conta e risco.

Sobre o autor:

Eric Novello adora escrever sobre os bares, boates e inferninhos que permanecem vivos em sua memória. Em sua fase solar, cuida de um gato imaginário e da coleção de vinis de blues que ainda não começou. É roteirista, aficionado por cinema, principalmente o noir. Adoraria ter o que fazer nas horas vagas, mas antes precisa descobrir como consegui-las.

Twitter do autor: @cericn

Link do Livro Neon Azul no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/112501


A MALDIÇÃO DA ROSA RUBRA

14/06/2010

Por: Larissa Caruso

Uma garoa fina caía dos céus, compartilhando a dor do luto em um choro silencioso. O brilho da lua cheia, ofuscado pelas densas nuvens, tornava a noite ainda mais triste. As luzes da cidade transformavam as poucas silhuetas que ainda circulavam as ruas, em coadjuvantes de um mundo escuro e vazio.

12 de Junho. Aquele era um dia de alegria para todos os que compartilhavam as mais intensas emoções dos seres humanos. Casais do Brasil inteiro comemoravam o Dia dos Namorados com seus amados e amadas, demonstrando a importância que possuíam em suas vidas. Entretanto, nem todos celebravam esse dia com felicidade em seus corações.

O homem de cabelos loiros espetados caminhava na calçada da Avenida Doutor Arnaldo, com a cabeça baixa. Seus olhos caramelados focavam no chão, sem o brilho costumeiro que conquistava aqueles a quem fitava. Os lábios avermelhados e finos mantinham-se colados um ao outro, em uma pequena linha de apatia e tristeza. Sua aura, normalmente repleta de carisma e confiança, exalava miséria e arrependimento.

Com as mãos sujas de lama, ele continuava seu caminho, indiferente ao mundo que o rodeava. A rosa rubra, já havia sido deixada para trás, e desta vez, seria a última que lhe daria.

Todos os anos, no Dia dos Namorados, ele alcançava o portão da casa de sua amada e sorrateiramente, deixava uma rosa no peitoril da janela. Não escrevia nenhum bilhete, nem assinava seu nome. Não era preciso. Imediatamente após dar-lhe este presente, ele, escondido dentre as sombras, a via pegando-a e tocando suas delicadas pétalas enquanto fitava a noite com um sorriso. Existia uma conexão forte entre eles, que, apesar do tempo, não havia enfraquecido.

Sempre que podia, ele a observava, procurando não interferir em sua vida. Adorava ver seu olhar meigo enquanto cuidava dos pequeninos, o jeito paciente de tratar aqueles a quem amava.  Possuía uma infinita aura de bondade e ternura, capaz de encantar até mesmo o mais frígido dos homens. Era prova disso. Ela o conquistara, fora capaz de reviver seu coração morto.

Apesar da vontade de estar ao seu lado, sabia que nunca poderia ter lhe proporcionado toda aquela alegria. Com ele, seria forçada a uma vida miserável e sombria. Sofreriam com as imposições do mundo e de sua condição. Não veria o brilho em seu semblante ao receber o carinho daqueles que compartilhavam seu sangue, a linhagem de sua família.

Em um pensamento egoísta, condenou-se por deixá-la ir. Não estaria nessa situação se tivesse insistido para que permanecessem juntos. Ainda seria capaz de senti-la em seus braços, saborear a doçura dos beijos roubados, ouvir aquela voz melódica chamando por seu nome… Antes de a vida tomar aquela para quem dera seu coração, sentia-se contente por poder vê-la trilhando seu próprio caminho. Agora, nem mesmo poderia fitá-la às escondidas, aproveitando-se de uma felicidade que não lhe pertencia. Com sua morte, não possuía mais nenhuma razão para vagar no mundo.

Um grito gutural escapou sua garganta e, apoiando-se contra a parede branca do cemitério, olhou para o céu em um pedido silencioso de misericórdia. O terno negro, coberto de barro, parecia refletir a culpa que sentia. Apesar de não querer mais reviver os momentos que havia passado há pouco, as memórias continuavam a reprisar em sua mente, atormentando-o.

Sua própria figura ajoelhada no chão, espalhando a terra molhada para os lados. Em frenesi, cavava aquele buraco imundo, a procura de uma saída, uma solução.

Levou as mãos ao rosto, deixando que lama escorresse sob sua pele alva e macia. A chuva imitava as lágrimas incapazes de brotar de seus olhos secos, complementando os dolorosos soluços que saíam de seus lábios.

Com facilidade, retirou a caixa de madeira envernizada de dentro do buraco que abriu. Jogou a tampa para longe, espatifando-a contra o tronco de uma árvore.

O odor de morte ainda impregnava suas narinas. A expressão vazia no rosto de sua amada causava-lhe dor. A palidez mórbida lembrava-lhe que aquele coração já não pulsava mais com a sede da vida. Lembrava-lhe de si mesmo.

Vendo seu corpo inerte, levantou-a em seus braços e levou-a próximo de seu tórax. Suplicando a quem quer que o ouvisse para que lhe concedesse aquele pedido, ele beijou seus lábios frios e sem sabor.

Todos os anos, ele aguardava aquele dia, o momento em que lhe entregava a rosa rubra. Sentia-se bem humorado, com o coração preenchido pelo afeto que possuía pela mulher. As cores retornavam ao mundo, tudo se tornava mais belo. Desde que decidira deixá-la, quando completou 21 anos, continuara a demonstrar seu carinho através daquela singela flor anual.

Rasgando seu próprio punho, alimentou-a com o sangue negro que corria em suas veias. Imóvel, observou-a, esperando por algum tipo de reação.

A pele de sua amada, já corroída pela ação do tempo, contrastava com a beleza daquele ser, que nunca deixaria de possuir a aparência angelical de seus vinte anos. Sabia que, devido à sua escolha, algum dia teria de encarar sua morte, mas sempre deixava aqueles pensamentos de lado, convencendo-se que se prepararia no ano seguinte.

Continuou inerte após a segunda ou a terceira tentativa em revivê-la com seu sangue. Gritou em dor e angústia ao perceber que nada poderia fazer.

Seu poder e imortalidade de nada foram capazes. Eram uma maldição, só isso. Eles o fariam lembrar até o fim dos tempos que havia encontrado sua alma gêmea e a deixado ir.

Com rapidez, devolveu-a ao seu descanso mortal, restaurando o imaculado espaço que destruíra em seu descontrole. Suspirando, plantou um leve beijo na flor que fora o símbolo de seu amor e despedaçando-a, jogou suas pétalas sobre a terra molhada. Levantando-se, deu às costas a lápide simples de concreto que adornava o túmulo, sem ler a doce inscrição deixada por sua família. ‘Aqui jaz Maria Helena Soares. Amada esposa, mãe e avó – 1933-2010’

Mesmo agora, quando estava disposto a trazê-la para seu lado, concedendo-lhe imortalidade apesar de sua aparência decadente, esse pedido lhe fora negado. A morte a levara para longe, ignorando o sofrimento causado naquele ser da noite. Só lhe restava perdurar tal punição, deixando que o coração que um dia voltara a bater por causa do amor de uma humana, apodrecesse novamente.

Nunca mais cometeria o mesmo erro. Jamais permitiria que olhares de cumplicidade e romance cruzassem os seus. O dia 12 de Junho, a partir de então, tornar-se-ia amaldiçoado. Transformaria todo o amor em miséria. Deixaria pétalas rubras em todo o mal que causasse. Ninguém escaparia. Compartilharia seu sofrimento com o mundo, da forma mais íntima possível: ele os faria sentir a perda na pele.

Dedicatória Especial: Editora Draco e seu lançamento “Meu Amor é um Vampiro”.


O PREDADOR PERFEITO

07/06/2010

Por: Larissa Caruso

As nuvens negras encobriam a lua e as estrelas, ofuscando a luz do céu. Apesar do horário, a movimentação na rua continuava. O barulho do motor dos carros ecoava na vizinhança, mesclando-se com o som dos últimos ônibus que ainda circulavam. Transeuntes, ocupados com suas preocupações mesquinhas e sem valor, seguia seu caminho sem sequer notar aqueles ao seu redor. Mas nem todos agiam desta forma.

Escondido no telhado de um estabelecimento comercial, ele observava a todos com seus olhos amarelados. Ninguém lhe passava despercebido, nem mesmo aqueles que habitavam as calçadas, protegendo-se do frio com roupas velhas e cobertores de papelão. Saliva escorria de seus dentes afiados enquanto pensava em sua próxima vítima. Estava faminto. Precisava se alimentar.

Sabia que era necessário cuidado. Não deveria vacilar. Encontrava-se em um ambiente moderno rodeado de perigos para criaturas como ele. A noite o definia, o acolhia. O frio não o incomodava. A altura lhe agradava. Agilidade fazia parte de sua natureza. Era o predador perfeito e como sempre, estava pronto para caçar.

Não o fazia somente por ser uma necessidade vital. Os gritos de terror eram como uma melódica sinfonia para seus ouvidos. Gostava de sentir suas garras restringindo os movimentos da vítima, e da sensação de poder que vinha de subjugá-la. Ansiava por experimentar o doce néctar da primeira mordida, onde o sangue, ainda quente, parecia derreter em sua boca.

Suas ações normalmente passavam despercebidas por aqueles que circulavam a vizinhança. Preferiam se trancar em suas casas, ignorando os gritos de dor das vítimas. Sabiam bem o que ocorria, entretanto, confortados pelo pensamento de que nunca passariam por aquela situação, eles a deixavam acontecer, noite após noite. Não estavam interessados em mais problemas.

Mesmo assim, era bom no que fazia. Com seus sentidos aguçados, era capaz de ouvi-los e avistá-los antes mesmo de se aproximarem. Saía do local do ataque, deixando somente os rastros de sangue da vítima que levava consigo, para se alimentar. Através de sua velocidade, sumia na noite, despistando aqueles que ousavam persegui-lo.

Seus pensamentos foram interrompidos pelo doce odor de uma presa. Com um gesto brusco de sua cabeça, focou seu olhar naquele que atraíra sua atenção. Observou a figura que se apressava para alcançar seu destino. Era alta e grande, diferente da maioria que normalmente caçava. Uma barriga protuberante indicava sua alimentação farta. Os olhos possuíam uma gana invejável pela vida e o pescoço alongado, exibia-se para o mundo.

Enquanto andava na calçada, parecia despreocupado com tudo que o rodeava. Murmurava para si mesmo algo parecido com uma canção. Mal sabia que o observavam, considerando matá-lo para saciar suas necessidades. Como a maioria, acreditava que aquilo não passava de mais uma noite, onde seguiria com sua rotina. Ah, doce ilusão!

Pacientemente, observou o individuo direcionando-se para uma rua estreita, mais deserta do que a avenida principal onde se encontrava no momento. Enquanto o fazia, preparou-se para o ataque. Inclinou seu torso para frente, pronto para saltar do prédio e surpreendê-lo. Sorriu ao vê-lo caminhando para sua própria morte. Só mais alguns segundos…

Com agilidade, saltou do telhado, aterrissando alguns passos a frente de sua vítima. Com os olhos arregalados em surpresa, a presa o fitou e então entendeu. O primeiro grito de terror ecoou no ar, fazendo-o tremer em êxtase. Apesar do peso extra que carregava em seu corpo, ele correu, tentando arrumar abrigo em lugares onde não seria capaz de alcançá-lo. Antes que pudesse esconder-se, o predador o atingiu com sua pata dianteira, fincando suas garras afiadas nas costas daquele que ousava resistir.

Ainda sim, a vítima continuou a correr, irritando-o ainda mais. Sibilando, mostrou que não estava brincando. Avançou com um ágil pulo em direção a vítima, procurando prendê-lo com ambas as patas. Um novo chiado de dor escapou do jantar, quando foi pego por seu predador. Com seus dentes afiados, aproximou-se daquele pescoço alongado e o mordeu, quebrando-o com um simples movimento. Lambeu os beiços para saborear ao máximo as primeiras gotas de sangue e então, ronronou em comemoração.

O felino de rua pegou o roedor por seu rabo e correndo, sumiu na noite a procura de um confortável esconderijo para apreciar sua refeição.


A TRAIÇÃO

31/05/2010

Por: Larissa Caruso

Um rancoroso uivo foi o único aviso que teve antes de ser atacado. O barulho da poderosa mandíbula fechando-se contra o ar soou próxima ao seu ombro direito deixou claro que escapara por pouco. Precisava dominá-lo e lembrá-lo quem era seu mestre. Ele era o senhor da noite, o rei da escuridão. Ninguém questionava sua autoridade sem receber a devida punição.

Outras três bestas de pelos negros projetaram-se com longos saltos em sua direção. Mais quatro tentaram golpeá-lo pelas costas. Pretendiam matá-lo. Como conseguiram planejar tal emboscada sem que percebesse? Era capaz de monitorar sua mentes, suas emoções. Sabia que seus servos eram indisciplinados, mas não esperava uma traição. Haviam cometido um grande erro.

Sua imagem transformou-se em um borrão alvo e negro enquanto desviava com velocidade sobrenatural daqueles que procuravam machucá-lo. Ganidos de dor intercalavam o silêncio cada vez que uma das criaturas atingia o chão, estonteada por sua própria força. Levantando os braços para o ar, sentiu o poder de seu elemento. Como no dia em que destruíra os infiéis, absorveu a noite dentro de sua essência novamente. A luz do luar desapareceu, assim como o brilho das estrelas. Não restou nada além da escuridão.

Os lobisomens o atacaram novamente, unindo suas mentes e bloqueando-o para que não pudesse prever de onde os golpes viriam. Foi então que entendeu como haviam planejado tudo sem que percebesse. Deixando que a ira o dominasse, fechou o punho direito com um gesto brusco, imaginando a garganta daqueles que o traíram sendo destruídas pela sua força.

Seus servos congelaram no ar, choramingando enquanto suas traqueias eram esmagadas. Mesmo assim, eles se curavam antes que a morte os alcançasse. Agora, entendia o seu erro. Deveria ter usado menos de seu sangue, adicionado uma pitada a mais de submissão. Tinha que ter usado mais cautela ao invés de criar centenas deles sem experimento prévio. O desejo de livrar o mundo daquela ameaça tornou-se ainda mais forte, não para o seu próprio bem, mas para o bem de seus filhos. Conseguia ver a fome nos olhos bestiais daqueles que enfrentava, dispostos a qualquer coisa para extinguir sua família.

O poder pulsou mais forte dentro dele, desintegrando, aos poucos, aquele corpo humano que escolhera para a vida eterna. Sabia que se os destruísse, tornar-se-ia um com a noite, consumido pelo poder que conjurara. Não importava. Precisava fazê-lo. Em sua mente, visualizou aqueles que compartilhavam o seu sangue na forma de um lobo, localizando um por um. Com um estalo de seus dedos, sentiu a conexão com seus servos ser quebrada. Carne, pele e sangue voaram em todas as direções, levando aqueles que nos ameaçavam a total extinção. O mundo estava livre dos lobisomens.

De certa forma, eles haviam vencido. O objetivo dos traidores era matá-lo e hoje, ele abdicou de sua imortalidade para salvar seus filhos. A matéria de seu corpo começou a se dissipar ao mesmo tempo em que o brilho retornou para a lua e as estrelas. Um último suspiro deixou seus lábios antes que se fundisse com seu elemento.