Lançamento: Vaporpunk da Editora Draco

08/08/2010

Lançamento:

27 de Agosto de 2010

Fantasticon 2010

Editora Draco

Release:

Relatos steampunk publicados sob as ordens de Suas Majestades

Com força mundial, a estética steampunk vem angariando cada vez mais fãs brasileiros e portugueses. Seu apelo visual e o rico conteúdo inspirados no século XIX são o combustível certo para a produção de uma literatura que pode ser intensa, mas também descontraída. Descubra o que oito autores maquinaram nesse intricando conjunto de engrenagens que é a imaginação.

O steampunk nasceu como um gênero literário, mas ganhou vida própria e dominou a moda e as artes plásticas, tornando-se cada vez mais conhecido. Se a cultura da era vitoriana virou inspiração para essa estética, em Vaporpunk – Relatos steampunk publicados sob as ordens de Suas Majestades, os organizadores Gerson Lodi-Ribeiro e Luis Filipe Silva imaginaram essa época tão distinta sob a ótica brasileira e portuguesa, repleta de inovações tecnológicas e acontecimentos inusitados.

Com a presença de renomados autores da ficção especulativa dos dois países, Octavio Aragão, Flávio Medeiros, Eric Novello, Carlos Orsi e o próprio Gerson pelo Brasil; Jorge Candeias, Yves Robert e João Ventura por Portugal; a coletânea traz oito noveletas movidas a vapor, disputas políticas, personagens famosos e armas engenhosas.

Tudo isso regado a muita aventura e surpresas, porque mais do que repensar o gênero, Vaporpunk é um convite para conhecer um mundo alternativo, e o que Brasil e Portugal poderiam ter sido com tamanhas novidades.

Sobre os autores:

Gerson Lodi-Ribeiro

Autor carioca de FC e história alternativa. Publicou Alienígenas Mitológicos e A Ética da Traição na edição brasileira da Asimov’s. Autor do romance Xochiquetzal – uma princesa asteca entre os incas (2009), e participou das coletâneas Outras Histórias… (1997), O Vampiro de Nova Holanda (1998), Outros Brasis (2006), Imaginários v. 1 (2009) e Taikodom: Crônicas (2009). Como editor, organizou as antologias Phantastica Brasiliana (2000) e Como Era Gostosa a Minha Alienígena! (2002). Trabalha desde 2004 como consultor da Hoplon Infotainment, sendo um dos criadores do universo ficcional do jogo online Taikodom.

Luís Filipe Silva

É autor de O Futuro à Janela (prêmio Caminho de Ficção Científica em 1991), dos romances Cidade da Carne e Vinganças, e, com João Barreiros, de Terrarium. Tem contos publicados no Brasil, Imaginários v. 2 (2009), Espanha e Sérvia, na antologia luso-americana Breaking Windows, e na antologia representativa da FC europeia em 2007, Creatures of Glass and Light. O seu trabalho mais recente é Aquele Que Repousa na Eternidade, uma novela lovecraftiana. site TecnoFantasia.com.

Octavio Aragão

Doutor e mestre em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes – EBA, UFRJ (2007 e 2002).  É professor Adjunto Nível 1 da Escola de Comunicação – ECO/UFRJ. Autor do romance A Mão que Cria (2006) e editor da antologia de contos Intempol (2000). É co-autor do livro Imaginário Brasileiro e Zonas Periféricas (2005), com a professora doutora Rosza Vel Zoladz, e publicou artigos em revistas como Arte e Ensaios e Nossa História.

Jorge Candeias

É português algarvio e tem desenvolvido nos últimos anos intensa atividade nos meios ligados à FC e ao fantástico dos dois lados do Atlântico (embora mais do lado de lá do que de cá, por óbvias razões logísticas). De momento ganha a vida como tradutor, e já tem no currículo um par de traduções de que se orgulha. Também tem no currículo um pequeno livro, Sally, (2002) e contos espalhados por publicações portuguesas, brasileiras, inglesas e argentinas, em papel e em bits.

Flávio Medeiros Jr.

Nasceu e vive em Belo Horizonte. Escreveu durante toda a infância, por isso joga mal futebol. Um dia entendeu que poderia ser médico e escrever como hobby, ou ser escritor e exercer a medicina como hobby. Como a última opção dá cadeia, optou pela primeira. Formou-se em medicina na UFMG e tornou-se oftalmologista. Autor do romance policial de ficção científica Quintessência (2004). Tem contos publicados nas coletâneas Paradigmas 2 (2009), Imaginários v. 1 (2009) e Steampunk (2009).

Eric Novello

É tradutor, escritor e roteirista. Publicou os romances Dante, o Guardião da Morte (2004), Histórias da Noite Carioca (2004) e Neon Azul (2010). Participou de várias coletâneas e co-organizou os primeiros dois volumes da coleção Imaginários e Meu Amor é um vampiro (2010).

site www.ericnovello.com.br

Carlos Orsi

Natural de Jundiaí (SP) é jornalista especializado em cobertura de temas científicos e escritor. Já publicou os volumes de contos Medo, Mistério e Morte (1996) e Tempos de Fúria (2005) e os romances Nômade (2010) e Guerra Justa (2010). Seus trabalhos de ficção aparecem em antologias como a Imaginários v. 1 (2009), revistas e fanzines no Brasil e no exterior.

Yves Robert

É licenciado em informática, tem um mestrado em matemática e é professor assistente no IADE – Instituto Superior de Artes Visuais, Design e Marketing. Para além da sua actividade de docente e programador escreve textos publicitários estando especializado na área do marketing directo. Tem vários contos publicados em antologias brasileiras e portuguesas.

João Ventura

Escreve ficção curta que pode ser lida na internetE-nigma, Tecnofantasia, Épica, Storm Magazine, Contos Fantásticos, Axxón, Quimicamente Impuro, Breves no tan Breves Bewildering Stories, AntipodeanSF. Tem textos publicados também em fanzines e participou em várias antologias – A Sombra sobre Lisboa (2006), Universe Pathways (2006), Grageas ( 2007), Contos de algibeira (2007) Brinca comigo! e outras estórias fantásticas com brinquedos (2009), Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas (2006). blogue fromwords.blogspot.com


UMA QUESTÃO DE NEGÓCIOS

24/05/2010

Por: Larissa Caruso

Nota: Este conto é uma narrativa que faz parte do romance chamado Anátema criado pela autora. Este universo possui uma mistura de fantasia com ficção científica e elementos de dark fantasy. Toda a obra é focada em magia e seus elementos. Para ler a obra, visite o link: http://www.larissacaruso.com/anatema.pdf

Este era o momento ideal para agir. Com um último olhar em direção ao local onde se encontrava, a jovem abriu a porta de ferro. Os gritos desesperados dos prisioneiros a atormentavam, juntamente com seu instinto, que implorava para que os ajudasse. Homens, mulheres, até mesmo crianças… todos sendo mantidos como cobaias de um experimento macabro patrocinado pelo rei. Espadas e cavalos, já não considerados suficientes, aos poucos davam espaço a armas de fogo e engenhocas. Tudo em nome do poder.

Balançando a cabeça negativamente, ela adentrou a sala de máquinas, ignorando todas as súplicas. Estava lá a negócios. Não podia bancar a heroína.

O teto de mais de dez metros de altura oferecia abrigo para grandes monstros metálicos que assoviavam a cada batida de seu coração. Esteiras de madeira os conectavam de forma intricada, sumindo e reaparecendo com estranhos objetos. Pedras e frascos de diversas cores brilhavam ao serem cuspidos pelas máquinas, pulsando levemente. Tubos flexíveis emaranhavam-se no centro, onde uma coluna de vidro protegia um pequeno ornamento que emanava uma luz dourada.

– O catalisador… – murmurou para si mesma.

Observou seus arredores com cautela. Furtivamente, iniciou seu caminho em direção ao objetivo de sua missão. Sentiu um calor forte rodeando-a assim que deu alguns passos para frente. O catalisador pulsou mais forte, parecendo pressentir sua presença. Decidindo que não se assustaria facilmente, ousou se aproximar ainda mais.

Um clarão tomou todo o galpão, cegando-a momentaneamente. O barulho de vidro sendo estilhaçado a ensurdeceu. Instintivamente, levou os braços a altura dos olhos, protegendo o rosto dos cacos que voavam em todas as direções. As máquinas responderam com rugidos ameaçadores, seguidos por uma densa fumaça branca. Toda a sala tremeu diante da força daqueles monstros.

Precisava encontrar o catalisador. Era incapaz de ouvir qualquer coisa além dos altos assovios da maquinaria, mas sabia que logo homens armados verificariam o que estava acontecendo.

A sua esquerda, lhe avisou seu instinto. Virou-se sem pensar e sorriu ao ver o que lá se encontrava.  Encoberto por fumaça estava um bracelete dourado, emanando energia em um tom fruta-cor. Ele flutuava lentamente, como se possuísse vida própria.

– Que maravilha… – bradou ela, irritada – O catalisador é um artefato mágico. Agora estão usando magia como fonte de energia das engenhocas?

Ponderou por um momento se realmente deveria tocá-lo, mas logo seus pensamentos foram interrompidos por um grito masculino, que ordenava:

– Tem alguém ali, próximo ao centro. Peguem-no!

Sem perder tempo, apanhou o artefato e começou a correr. Precisava sair de lá o mais rápido possível. Perguntou-se novamente o porquê havia aceitado aquela missão, e então se lembrou.

***

Alyvia fechou a porta da taverna, abafando o som de risadas e música que vinham de dentro. Observando seus arredores ligeiramente, começou a caminhar em direção a área residencial mais pobre. Apesar da escuridão da noite, as lamparinas da cidade ofereciam o brilho de suas chamas, auxiliando-a a traçar seu destino.

Deixou-se distrair por um momento, pensando nas informações descobertas naquele dia. Mapeou os detalhes em sua mente, tentando organizá-los para que pudesse colocá-los no papel de forma rápida e precisa. Enquanto pensava, levou a mão aos cabelos loiros e retirou a presilha prateada que o segurava em um elaborado coque. Os fios lisos cascatearam ao redor de seu pescoço e ombros, deixando-lhe mais a vontade em seu atual figurino.

Ao executar o movimento, sentiu uma mão forte agarrando seu braço. Antes que pudesse reagir, foi puxada para uma estreita rua com pouca iluminação. Uma palma calejada calou sua boca, ao mesmo tempo em que um corpo esguio pressionou-se contra o seu. Em um ato instintivo, levou a presilha de bico pontudo contra o torso de seu opressor, como se segurasse uma de suas adagas.

– É assim que você me recebe? – a voz familiar sussurrou em seu ouvido, arrepiando-a.

Seu coração palpitava, mas não mais de medo. O luar focou sua luz no rosto do homem assim que ele deu um passo para trás. Cabelos loiros curtos e encaracolados lhes concediam uma face angelical que era desmentida pelos intensos olhos cinza que a fitavam com malicia.  O homem soltou uma melódica risada, que fez com que os joelhos da jovem tremessem. Recuperando-se com uma respiração profunda, ela perguntou:

– Luke! O que faz aqui?

– Vim me certificar que estava bem. Estava demorando e…

– É óbvio que sim. Já falhei alguma fez? – interrompeu a moça, arqueando as sobrancelhas. Sem esperar que respondesse, continuou – Vamos logo, antes que notem algo de errado.

Luke a guiou pelas ruas da capital de Ishdor, locomovendo-se com facilidade invejável. Poucos ainda caminhavam nas ruas e em sua maioria eram guardas fazendo a ronda noturna. Alguns homens de cavalo com trajes de viagem também circulavam, entrando ou saindo da cidade. O cheiro forte de barro molhado e estrume empesteava a vizinhança, apesar da chuva ter varrido a pior parte da sujeira. A jovem franziu o nariz, segurando a respiração enquanto caminhava. Por um momento, desejou que a tecnologia se difundisse também entre os plebeus.

Pararam logo a frente de uma estalagem simples com tijolos gastos. Sem nenhuma pergunta, o estalajadeiro os cumprimentou quando entraram. Sabia que este era o principal motivo da escolhe de Luke. Era um lugar onde grandes gorjetas significavam rápido esquecimento. Perfeito para aqueles que não queriam ser notados.

Assim que chegaram ao quarto de casal que haviam alugado, Alyvia sentou-se para tirar seus sapatos. Luke a observou em silêncio, parecendo entretido com algo que via. Apressando-o, ela pediu:

– Preciso de um papel e um lápis. Rápido.

Ele sorriu ao ver a expressão séria em seu rosto e atendeu seu pedido sem delongas. Com traços firmes, a jovem delineou aquilo que havia descoberto naquele dia. Enquanto o fazia, explicou:

– O catalisador esta localizado em um galpão próximo a Rern, cidade ao sul da capital. Tem uma casa de hospedagem a direita e um grande muro ao redor da propriedade. Durante o dia, haverá mais de trinta homens rondando o local, dentre eles alguns mercenários. À noite, maior parte se recolhe, deixando somente dez circulando o perímetro. Nenhum deles possui acesso a sala de máquinas.

– Certo. E qual o plano?

A jovem o observou, depois disse com simplicidade:

– Eles procuram por bruxas, não? Então serei uma delas.

– Ousado. – foi a única palavra dita pelo homem, que a observava com admiração.

Ela lhe ofereceu um meio sorriso, satisfeita com a resposta recebida. Sabia que ele possuía diversas perguntas, mas não as faria. Esperava que ela executasse a missão sozinha, provando seu valor. Tinha tudo planejado. Adorava surpreendê-lo e dessa vez sabia que não seria diferente. Não deixaria nenhuma brecha para que argumentasse contra o acordo feito entre eles.

– Quando? – ele perguntou, desviando seu olhar para o papel diante de si.

– Amanhã ao entardecer. Precisarei de você antes do amanhecer.

– Certo, nos encontraremos no terraço do galpão. Vou esperar até que soe a última badalada da hora seguinte. Este é seu teste final. Não me decepcione. – concluiu ele.

Sentiu um arrepio de excitação percorrer seu corpo enquanto sorria para ele. Mal podia acreditar que finalmente seria considerada digna de uma sociedade com aquele que era seu tutor e amante. Parecia que explodiria de felicidade. Era jovem e, graças aquele homem, bem sucedida. Sabia que seus contratos autônomos de alta confidencialidade, como ele os chamava, nada mais eram do que uma desculpa para roubar informações e tecnologia. Não se importava, com tanto que pagassem bem.

– Ah, e… Lyvie? – ela o fitou ao ouvir seu apelido carinhoso e ele continuou – Adorei o vestido.

O olhar faminto fez com que entendesse o significado de sua frase. Negócios encerrados. Agora era hora de diversão.

***

Alyvia sentiu suas pernas tremerem com fraqueza ao alcançar a porta que levava ao terraço do galpão. Abrindo-a, observou os arredores a procura de seu salvador. Ainda podia ouvir as vozes de seus perseguidores, mas não chegariam a tempo.

Voando sob o chão do terraço, viu um pássaro mecânico esperando-a, já com seu amor a bordo. Sua estrutura metálica era simples, sem nenhum tipo de revestimento. Na armação principal, acima das pequenas rodas, encontravam-se dois assentos de couro, o do piloto, ocupado por Luke, e outro logo atrás. As finas hélices, paralelas ao chão, giravam rapidamente, criando uma grande ventania ao seu redor.

Sem perder tempo, ela caminhou em direção a beirada do terraço, aproximando-se da aeronave. Seu futuro sócio imediatamente perguntou:

– Cadê o catalisador?

Alyvia abriu a mão que segurava o bracelete, mostrando-o para ele. Diferente dela, não pareceu surpreso ao ver que se tratava de um artefato mágico. Antes que pudesse colocá-lo em um lugar seguro, Luke o tomou de sua mão, observando-o com mais cuidado.

– Não temos tempo a perder. Preciso de sua ajuda pra subir, me dê sua mão.

Com um olhar pesaroso, ele disse:

– Desculpe, Lyvie querida, mas não posso me associar com alguém terá um retrato falado e uma recompensa por sua cabeça.

Os olhos da jovem se arregalaram. Fitou a porta, sabendo que a qualquer momento esta se abriria.

– Chega de brincadeiras! – pediu ela, com o coração agitado.

– Quem me dera estar brincando… – suspirou ele, aumentando a altitude do girocóptero – Mas entenda, minha querida, é uma questão de negócios. Foi bom enquanto durou.

Acenando para a loira, ele se despediu com um sorriso. O pássaro mecânico tornou-se mais distante no horizonte enquanto ela o observava, desconsolada. Ouviu o barulho de espadas sendo desembainhadas atrás de si, e uma voz masculina anunciou:

– Fim da linha, ladra. Renda-se.

Suspirando, ela ponderou suas possibilidades. Poderia render-se e ser torturada até a morte, ou poderia arriscar tudo em uma única tentativa. Sorriu para si mesma. Acenando para seus perseguidores, ela pulou.


Universo Taikodom em 36 anos?

07/08/2009

Para os que não conhecem, o Universo Taikodom é um jogo online desenvolvido pela Hoplon Infotainment. A história do jogo explora – entre outros temas – a criação de um chip chamado ONI (Organizador Neural Intracraniano) implantado no cérebro e capaz de criar uma realidade virtual conectando todos os que o utilizam em uma única rede. Com o ONI você é capaz de executar todas as funções atualmente presentes em um computador (e muito mais!) diretamente em seu cérebro.

No dia 03 de Agosto, 2009, o jornal o Estado de São Paulo publicou uma matéria sobre um cientista norte-americano que acredita que as limitações humanas como inteligência, memória e até mesmo a morte, serão basicamente extintas.  Na matéria “No futuro, as cabeças estarão na rede”, o cientista disse:

“Em 2046, o homem fundido com a máquina irá multiplicar em bilhões de vezes a sua inteligência, comparando com o que somos. Nesse ponto, será tão simples fazer um backup do nosso cérebro quanto fazemos o do nosso computador”.

Ele se refere a nanochips que estarão correndo pela nossa corrente sanguínea e serão implantados em nosso cérebro, fazendo com que todos sejam parte da mesma rede.

Ray Kurzweil é um renomado cientista, formado pela Universidade MIT (Massachusetts Institute of Technology), um dos principais laboratórios de nova tecnologia do mundo. Ele foi considerado o “Mais esperto (ou mais maluco) futurista na Terra” pelo artigo da CNN Money em Maio de 2007, foi incluido no Hall da Fama dos Inventores Nacionais” em 2002 por inventar a máquina de leitura Kurzweil que possibilita a leitura de materiais impressos para aqueles com dificuldades visuais, etc.

É interessante ver uma questão abordada em um jogo online de ficção científica sendo também explorada por um cientista renomado. Isso nos mostra que cada vez mais a ficção científica está diminuindo as barreiras entre ficção e realidade. Idéias como a de uma rede global de consciência humana (tipo uma internet com sentimentos) e do controle de ações cerebrais através de aparelhos ou chips (como o controle do seu próprio humor)  já vem sido abordadas desde clássicos da ficção científica como Do Androids Dream of Electric Sheep? de Philip K. Dick, publicado em 1968.

Minha Opinião: Apesar de não acreditar que a teoria apresentada pelo cientista acontecerá em menos de 50 anos, a idéia de um nanochip implantando em nosso cérebro, capaz de armazenar informações e processar tarefas, me parece bem plausível. Esse seria o passo mais lógico para a ampliação de nossa capacidade cerebral. Quando isso acontecesse, computadores de uso pessoal se tornariam obsoletos já que todas as funções poderiam ser feitas em nosso cérebro. E então? Como ficaria a internet? Não seria lógico também transportá-la para os nossos cérebros?

Plausível ou Loucura? Deixe sua opinião!



A Caverna de Cristais: O Arqueiro e a Feiticeira

07/08/2009

Autora: Helena Gomes

Editora Idea

Nota: 8,7

Queria começar dizendo que este livro não é um livro de fantasia, apesar de parecer devido ao cenário para o qual somos transportados logo no início. O mundo de Britanya possui elementos bem medievais como castelos, cavaleiros, nobres e reis – levemente influenciado pelas histórias do Rei Arthur. Também encontramos elementos da época feudal européia como a ignorância (no caso de Britanya, ler é proibido), a hierarquia e o poder da igreja.  Ele é o primeiro de uma trilogia em um mundo interessantíssimo que envolve muita história, magia e até mesmo muita tecnologia.

O livro é centrado na história do arqueiro Thomas, um garoto que os leitores acompanharão desde os sete anos de idade enquanto vive sob a tutela de andarilhos que o criaram após a morte de sua mãe, durante seu parto. De acordo com o que ele cresce, o tom do livro muda, mostrando-se mais interessante, misterioso e cheio de aventuras. Desde pequeno o garoto possui estranhas visões e sonhos proféticos, sendo então repudiado por todos com quem vive. Uma nova etapa na vida de Thomas começa ao ser enviado para um Monastério sob a tutela de irmão Michel e futuramente do Mestre Dines. Thomas aprende muito durante esse período, tornando-se um rapaz inteligente, ágil e forte. Ele aprende sobre as diferentes Eras do passado, inclusive a Era da Tecnologia que foi bem parecida com a nossa realidade atual.

Outras aventuras também fazem parte da vida de Thomas, como o período em que vive no castelo da nobre família de Durham. Novos personagens são introduzidos e a história de seu passado começa a ser revelada. Alguns personagens que valem a pena ser destacados são Hughes De Angelis e seu sobrinho, Vince De Angelis, a feiticeira Hannah, Mark De Durham e Erin De Durham. Ao decorrer das páginas, o leitor, juntamente com Thomas, descobre mais sobre a família do rapaz, que esta envolvida em uma complicada trama, central para a história.

Nada é o que parece ser na vida de Thomas. Mentiras, omissões e manipulações são sempre parte do seu presente e do seu passado.

O livro mantém uma estrutura infanto-juvenil, podendo ser apreciado por diversas idades. Alguns elementos da trama podem passar despercebidos para os leitores mais novos, no entanto, são estes que apimentam a leitura jovem e adulta. A autora explora diversos temas como vida em outros planetas, as atitudes ecologicamente erradas dos seres humanos na Terra e suas consequências, a ganância, os diversos tipos de amor, etc. Devido a essa estruturação infanto-juvenil, o leitor mais velho pode achar o relacionamento e o desenvolvimento dos personagens mal explorado ou até mesmo infantil. No entanto, nada consegue tirar o brilho da história e a atenção do leitor.