Lançamento: Necrópolis – A Fronteira das Almas

07/10/2010

Recebi hoje o convite para esse grande evento e, apesar de já termos feito algumas chamadas no blog, volto a falar sobre o Necrópolis.

Dia 07 de Novembro a partir das 15:30 horas teremos o lançamento do livro Necrópolis – A Fronteira Das Almas do autor Douglas MCT que será publicado pela Editora Draco.

O evento será na Livraria Martins Fontes Paulista (Avenida Paulista, 509 – em frente a estação Brigadeiro do metrô)

Será uma ótima oportunidade para prestigiar o autor e ver exatamente do que se trata esse romance dark fantasy.

Para não deixá-los só na espectativa, ai vai a sinopse:

Em Necrópolis – A Fronteira das Almas, romance de Douglas MCT, Verne Vipero irá até os confins de um mundo fantástico em sua jornada tenebrosa para resgatar a alma do irmão. Em Necrópolis nada é o que parece e a Fronteira das Almas é o fim da travessia.

Verne Vipero não acredita em nada fora do normal. É um rapaz cético que confronta sua descrença ao descobrir que pode salvar a alma do irmão morto, que segue em direção ao Abismo. Abalado pela perda e descobrindo essa possibilidade, parte para o Mundo dos Mortos com um objetivo, quase uma obsessão: trazer Victor, o caçula, de volta à vida. Custe o que custar.

Em Necrópolis – A Fronteira das Almas, romance de Douglas MCT, o leitor acompanha Verne Vipero a Necrópolis, uma das regiões de Moabite, o Sétimo dos Oito Círculos do Universo. Um lugar habitado por criaturas sobrenaturais como duendes, vampiros, reptilianos e centauros. Onde há planos que levam a mundos Etéreos, de Pesadelos e Magia. Um lugar regido por forças opostas: o Ouroboros, que permite a renovação da vida; e o Niyanvoyo, onde as almas dão seus passos rumo ao fim.

Aliado a um monge renegado, um ladrão velocista, uma mercenária deslumbrante e um homem-pássaro suspeito, Verne conhecerá um deserto mórbido, um abrigo de magos e uma cidade de pedra, e irá até os confins do mundo em sua jornada tenebrosa para resgatar a alma do irmão. Em Necrópolis nada é o que parece e a Fronteira das Almas é o fim da travessia.

 

Twitter do autor: @DouglasMCT

Livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/112127-necropolis

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Lançamento: Vaporpunk da Editora Draco

08/08/2010

Lançamento:

27 de Agosto de 2010

Fantasticon 2010

Editora Draco

Release:

Relatos steampunk publicados sob as ordens de Suas Majestades

Com força mundial, a estética steampunk vem angariando cada vez mais fãs brasileiros e portugueses. Seu apelo visual e o rico conteúdo inspirados no século XIX são o combustível certo para a produção de uma literatura que pode ser intensa, mas também descontraída. Descubra o que oito autores maquinaram nesse intricando conjunto de engrenagens que é a imaginação.

O steampunk nasceu como um gênero literário, mas ganhou vida própria e dominou a moda e as artes plásticas, tornando-se cada vez mais conhecido. Se a cultura da era vitoriana virou inspiração para essa estética, em Vaporpunk – Relatos steampunk publicados sob as ordens de Suas Majestades, os organizadores Gerson Lodi-Ribeiro e Luis Filipe Silva imaginaram essa época tão distinta sob a ótica brasileira e portuguesa, repleta de inovações tecnológicas e acontecimentos inusitados.

Com a presença de renomados autores da ficção especulativa dos dois países, Octavio Aragão, Flávio Medeiros, Eric Novello, Carlos Orsi e o próprio Gerson pelo Brasil; Jorge Candeias, Yves Robert e João Ventura por Portugal; a coletânea traz oito noveletas movidas a vapor, disputas políticas, personagens famosos e armas engenhosas.

Tudo isso regado a muita aventura e surpresas, porque mais do que repensar o gênero, Vaporpunk é um convite para conhecer um mundo alternativo, e o que Brasil e Portugal poderiam ter sido com tamanhas novidades.

Sobre os autores:

Gerson Lodi-Ribeiro

Autor carioca de FC e história alternativa. Publicou Alienígenas Mitológicos e A Ética da Traição na edição brasileira da Asimov’s. Autor do romance Xochiquetzal – uma princesa asteca entre os incas (2009), e participou das coletâneas Outras Histórias… (1997), O Vampiro de Nova Holanda (1998), Outros Brasis (2006), Imaginários v. 1 (2009) e Taikodom: Crônicas (2009). Como editor, organizou as antologias Phantastica Brasiliana (2000) e Como Era Gostosa a Minha Alienígena! (2002). Trabalha desde 2004 como consultor da Hoplon Infotainment, sendo um dos criadores do universo ficcional do jogo online Taikodom.

Luís Filipe Silva

É autor de O Futuro à Janela (prêmio Caminho de Ficção Científica em 1991), dos romances Cidade da Carne e Vinganças, e, com João Barreiros, de Terrarium. Tem contos publicados no Brasil, Imaginários v. 2 (2009), Espanha e Sérvia, na antologia luso-americana Breaking Windows, e na antologia representativa da FC europeia em 2007, Creatures of Glass and Light. O seu trabalho mais recente é Aquele Que Repousa na Eternidade, uma novela lovecraftiana. site TecnoFantasia.com.

Octavio Aragão

Doutor e mestre em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes – EBA, UFRJ (2007 e 2002).  É professor Adjunto Nível 1 da Escola de Comunicação – ECO/UFRJ. Autor do romance A Mão que Cria (2006) e editor da antologia de contos Intempol (2000). É co-autor do livro Imaginário Brasileiro e Zonas Periféricas (2005), com a professora doutora Rosza Vel Zoladz, e publicou artigos em revistas como Arte e Ensaios e Nossa História.

Jorge Candeias

É português algarvio e tem desenvolvido nos últimos anos intensa atividade nos meios ligados à FC e ao fantástico dos dois lados do Atlântico (embora mais do lado de lá do que de cá, por óbvias razões logísticas). De momento ganha a vida como tradutor, e já tem no currículo um par de traduções de que se orgulha. Também tem no currículo um pequeno livro, Sally, (2002) e contos espalhados por publicações portuguesas, brasileiras, inglesas e argentinas, em papel e em bits.

Flávio Medeiros Jr.

Nasceu e vive em Belo Horizonte. Escreveu durante toda a infância, por isso joga mal futebol. Um dia entendeu que poderia ser médico e escrever como hobby, ou ser escritor e exercer a medicina como hobby. Como a última opção dá cadeia, optou pela primeira. Formou-se em medicina na UFMG e tornou-se oftalmologista. Autor do romance policial de ficção científica Quintessência (2004). Tem contos publicados nas coletâneas Paradigmas 2 (2009), Imaginários v. 1 (2009) e Steampunk (2009).

Eric Novello

É tradutor, escritor e roteirista. Publicou os romances Dante, o Guardião da Morte (2004), Histórias da Noite Carioca (2004) e Neon Azul (2010). Participou de várias coletâneas e co-organizou os primeiros dois volumes da coleção Imaginários e Meu Amor é um vampiro (2010).

site www.ericnovello.com.br

Carlos Orsi

Natural de Jundiaí (SP) é jornalista especializado em cobertura de temas científicos e escritor. Já publicou os volumes de contos Medo, Mistério e Morte (1996) e Tempos de Fúria (2005) e os romances Nômade (2010) e Guerra Justa (2010). Seus trabalhos de ficção aparecem em antologias como a Imaginários v. 1 (2009), revistas e fanzines no Brasil e no exterior.

Yves Robert

É licenciado em informática, tem um mestrado em matemática e é professor assistente no IADE – Instituto Superior de Artes Visuais, Design e Marketing. Para além da sua actividade de docente e programador escreve textos publicitários estando especializado na área do marketing directo. Tem vários contos publicados em antologias brasileiras e portuguesas.

João Ventura

Escreve ficção curta que pode ser lida na internetE-nigma, Tecnofantasia, Épica, Storm Magazine, Contos Fantásticos, Axxón, Quimicamente Impuro, Breves no tan Breves Bewildering Stories, AntipodeanSF. Tem textos publicados também em fanzines e participou em várias antologias – A Sombra sobre Lisboa (2006), Universe Pathways (2006), Grageas ( 2007), Contos de algibeira (2007) Brinca comigo! e outras estórias fantásticas com brinquedos (2009), Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas (2006). blogue fromwords.blogspot.com


Lançamento: Eclipse ao pôr do sol

08/07/2010

A Fantasticon 2010 (27,28 e 29 de Agosto) promete várias novidades e lançamentos! No ritmo de Imaginários – Volume 3 e Neon Azul, a Editora Draco anuncia uma nova obra que será lançada durante o evento.

“Eclipse ao pôr do sol e outros contos fantásticos” é uma coleção de contos do autor Antonio Luiz M. C. Costa que promete ao leitor uma viagem incrível.

Em sua primeira coletânea de ficção, Antonio Luiz M. C. Costa, editor de política internacional da CartaCapital, oferece ao leitor uma viagem por seis contos que vão da Antiguidade Clássica ao Século XXI, com escalas no Portugal da Renascença, no Brasil do Segundo Reinado e nas míticas Asgard e Atlântida, mostrando realidades com os olhos da fantasia.

Atenção, senhores passageiros: para sua segurança, preste atenção a estas recomendações. Nestes seis contos, viajarão da Antiguidade Clássica ao Século XXI, com escalas no Portugal da Renascença, no Brasil do Segundo Reinado e nas míticas Asgard e Atlântida. E não será dessas excursões nas quais se olha as paisagens pela janela do ônibus com ar condicionado, deixando as lorotas do guia entrarem por um ouvido e saírem pelo outro enquanto deglutem seus refrigerantes e batatas fritas. Este é um turismo de aventura.

Se quiserem entender os nativos, terão de ficar atentos, pois eles falam com seus sotaques nativos, não na língua dos âncoras da tevê. Precisarão desembarcar em solos estranhos e achar o caminho com os próprios pés. Em compensação, serão recebidos por deuses e ninfas e conhecerão grandes vates e bardos. Caso se atrevam, terão a oportunidade de partilhar o leito com tórridas ou tórridos amantes. Mas com uma coisa não precisam se preocupar: não se perderão em quimeras nebulosas, em devaneios insinceros. Esta caixa contém meia dúzia de pílulas meio vermelhas, meio azuis, para se ver realidades com os olhos da fantasia.

Sobre o autor:

Antonio Luiz M. C. Costa sempre gostou de literatura em geral e de fantasia e ficção científica em especial, mas formou-se em engenharia de produção e filosofia, fez pós-graduação em economia e trabalhou como analista de investimentos e assessor econômico-financeiro antes de reencontrar sua vocação na escrita, no jornalismo e na ficção. Hoje escreve sobre a realidade na revista CartaCapital e sobre a imaginação em outras partes, além de colaborar com os meios a seu alcance para o desenvolvimento da ficção especulativa no Brasil.

Twitter do autor: @ALuizCosta


Lançamento: Neon Azul de Eric Novello

02/07/2010

E a Editora Draco vem aí com mais um incrível lançamento. Podem aguardar que na Fantasticon 2010 (27, 28 e 29 de Agosto), não ouviremos falar somente de Imaginários 3. Teremos também o lançamento do romance de Eric Novello chamado Neon Azul.

Esse promete, hein! Vai para minha lista no skoob!

Sinopse:

Um homem que não dorme nunca. Um advogado com um cramulhão na garrafa. Um assassino que atravessa espelhos. Um escritor que não consegue prender sua personagem no papel. Esses são alguns dos frequentadores de Neon Azul, um bar diferente para cada cliente. Escolha o seu lugar, faça o seu pedido. Depois do primeiro drinque, você jamais será o mesmo.

Neon Azul é uma boate onde habitam os seus mais sombrios desejos e tentações. É um lugar diferente, repleto de acontecimentos estranhos, mas que poderia estar na esquina da sua casa ou no caminho entre o trabalho e o metrô. Enquanto acompanha a história do bar e de funcionários e clientes peculiares, descubra que realizar seus desejos pode ter efeitos colaterais imprevisíveis.

Homens de negócio, prostitutas, artistas e boêmios imersos em uma solidão que só quem passeia pela noite já experimentou, um sentimento comum aos que vivem cercados de gente, com um sorriso no rosto e um copo na mão.

Nesse jogo de luzes e sombras que revelam a fantasia e encobrem a realidade, está nas mãos do leitor a decisão de acreditar ou não no que lê e decidir quem conta as verdades e as mentiras ao longo da história.

Assim como o insone gerente do bar, o leitor terá muito o que lembrar quando deitar na cama e fechar os olhos por própria conta e risco.

Sobre o autor:

Eric Novello adora escrever sobre os bares, boates e inferninhos que permanecem vivos em sua memória. Em sua fase solar, cuida de um gato imaginário e da coleção de vinis de blues que ainda não começou. É roteirista, aficionado por cinema, principalmente o noir. Adoraria ter o que fazer nas horas vagas, mas antes precisa descobrir como consegui-las.

Twitter do autor: @cericn

Link do Livro Neon Azul no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/112501


Imaginários – Volume 3

01/07/2010

A Editora Draco está com diversos projetos interessantíssimos nesse segundo semestre de 2010 e esse é um que  vale a pena citar!

Imaginários – Volume 3


Será lançado na Fantasticon 2010 (27,28,29 de Agosto) e conta com incríveis autores nacionais. Segue a lista:

  • Ana Cristina Rodrigues
  • Cirilo S. Lemos
  • Douglas MCT
  • Eduardo Spohr
  • Fábio Fernandes
  • Fernando Santos de Oliveira
  • Lidia Zuin
  • Marcelo Ferlin Assami
  • Marcelo Galvão
  • Rober Pinheiro

Pesquisa de Campo: Saraiva Center Norte SP

18/06/2010

Hoje fui até o Shopping Center Norte para realizar alguns afazeres e decidi passar na livraria Saraiva MegaStore para dar uma olhada nos títulos presentes. Chamei a iniciativa de “Pesquisa de Campo”. O intuito era descobrir quais títulos nacionais de Literatura Fantástica estavam em exposição.

Fiquei surpresa com o resultado. Vejam algumas fotos editadas:

P.S.: Tinha uma prateleira dedicada exclusivamente ao autor André Vianco, mas infelizmente a foto ficou borrada.

Esperava encontrar um ou outro título, com um ou no máximo dois exemplares de cada. Deparei-me com um considerável acervo e comparei-o a lembrança que possuía de um ano atrás, na mesma livraria. Houve uma melhora absurda. Estamos ganhando força no mercado, recebendo maior respeito. De 2-3 títulos, passamos para mais de dez, vinte se contarmos que alguns são sagas ou diferentes obras do mesmo autor.

Senti-me orgulhosa por fazer parte daqueles que acreditam e apoiam a Literatura Fantástica no Brasil. Ainda temos muito chão a percorrer, entretanto, tenho certeza que conseguiremos melhorar ainda mais.

Quem sabe se em um ou dois anos não ganharemos nossa própria seção? Já imaginaram 3-4 estantes intituladas “Literatura Fantástica Nacional”?


UMA QUESTÃO DE NEGÓCIOS

24/05/2010

Por: Larissa Caruso

Nota: Este conto é uma narrativa que faz parte do romance chamado Anátema criado pela autora. Este universo possui uma mistura de fantasia com ficção científica e elementos de dark fantasy. Toda a obra é focada em magia e seus elementos. Para ler a obra, visite o link: http://www.larissacaruso.com/anatema.pdf

Este era o momento ideal para agir. Com um último olhar em direção ao local onde se encontrava, a jovem abriu a porta de ferro. Os gritos desesperados dos prisioneiros a atormentavam, juntamente com seu instinto, que implorava para que os ajudasse. Homens, mulheres, até mesmo crianças… todos sendo mantidos como cobaias de um experimento macabro patrocinado pelo rei. Espadas e cavalos, já não considerados suficientes, aos poucos davam espaço a armas de fogo e engenhocas. Tudo em nome do poder.

Balançando a cabeça negativamente, ela adentrou a sala de máquinas, ignorando todas as súplicas. Estava lá a negócios. Não podia bancar a heroína.

O teto de mais de dez metros de altura oferecia abrigo para grandes monstros metálicos que assoviavam a cada batida de seu coração. Esteiras de madeira os conectavam de forma intricada, sumindo e reaparecendo com estranhos objetos. Pedras e frascos de diversas cores brilhavam ao serem cuspidos pelas máquinas, pulsando levemente. Tubos flexíveis emaranhavam-se no centro, onde uma coluna de vidro protegia um pequeno ornamento que emanava uma luz dourada.

– O catalisador… – murmurou para si mesma.

Observou seus arredores com cautela. Furtivamente, iniciou seu caminho em direção ao objetivo de sua missão. Sentiu um calor forte rodeando-a assim que deu alguns passos para frente. O catalisador pulsou mais forte, parecendo pressentir sua presença. Decidindo que não se assustaria facilmente, ousou se aproximar ainda mais.

Um clarão tomou todo o galpão, cegando-a momentaneamente. O barulho de vidro sendo estilhaçado a ensurdeceu. Instintivamente, levou os braços a altura dos olhos, protegendo o rosto dos cacos que voavam em todas as direções. As máquinas responderam com rugidos ameaçadores, seguidos por uma densa fumaça branca. Toda a sala tremeu diante da força daqueles monstros.

Precisava encontrar o catalisador. Era incapaz de ouvir qualquer coisa além dos altos assovios da maquinaria, mas sabia que logo homens armados verificariam o que estava acontecendo.

A sua esquerda, lhe avisou seu instinto. Virou-se sem pensar e sorriu ao ver o que lá se encontrava.  Encoberto por fumaça estava um bracelete dourado, emanando energia em um tom fruta-cor. Ele flutuava lentamente, como se possuísse vida própria.

– Que maravilha… – bradou ela, irritada – O catalisador é um artefato mágico. Agora estão usando magia como fonte de energia das engenhocas?

Ponderou por um momento se realmente deveria tocá-lo, mas logo seus pensamentos foram interrompidos por um grito masculino, que ordenava:

– Tem alguém ali, próximo ao centro. Peguem-no!

Sem perder tempo, apanhou o artefato e começou a correr. Precisava sair de lá o mais rápido possível. Perguntou-se novamente o porquê havia aceitado aquela missão, e então se lembrou.

***

Alyvia fechou a porta da taverna, abafando o som de risadas e música que vinham de dentro. Observando seus arredores ligeiramente, começou a caminhar em direção a área residencial mais pobre. Apesar da escuridão da noite, as lamparinas da cidade ofereciam o brilho de suas chamas, auxiliando-a a traçar seu destino.

Deixou-se distrair por um momento, pensando nas informações descobertas naquele dia. Mapeou os detalhes em sua mente, tentando organizá-los para que pudesse colocá-los no papel de forma rápida e precisa. Enquanto pensava, levou a mão aos cabelos loiros e retirou a presilha prateada que o segurava em um elaborado coque. Os fios lisos cascatearam ao redor de seu pescoço e ombros, deixando-lhe mais a vontade em seu atual figurino.

Ao executar o movimento, sentiu uma mão forte agarrando seu braço. Antes que pudesse reagir, foi puxada para uma estreita rua com pouca iluminação. Uma palma calejada calou sua boca, ao mesmo tempo em que um corpo esguio pressionou-se contra o seu. Em um ato instintivo, levou a presilha de bico pontudo contra o torso de seu opressor, como se segurasse uma de suas adagas.

– É assim que você me recebe? – a voz familiar sussurrou em seu ouvido, arrepiando-a.

Seu coração palpitava, mas não mais de medo. O luar focou sua luz no rosto do homem assim que ele deu um passo para trás. Cabelos loiros curtos e encaracolados lhes concediam uma face angelical que era desmentida pelos intensos olhos cinza que a fitavam com malicia.  O homem soltou uma melódica risada, que fez com que os joelhos da jovem tremessem. Recuperando-se com uma respiração profunda, ela perguntou:

– Luke! O que faz aqui?

– Vim me certificar que estava bem. Estava demorando e…

– É óbvio que sim. Já falhei alguma fez? – interrompeu a moça, arqueando as sobrancelhas. Sem esperar que respondesse, continuou – Vamos logo, antes que notem algo de errado.

Luke a guiou pelas ruas da capital de Ishdor, locomovendo-se com facilidade invejável. Poucos ainda caminhavam nas ruas e em sua maioria eram guardas fazendo a ronda noturna. Alguns homens de cavalo com trajes de viagem também circulavam, entrando ou saindo da cidade. O cheiro forte de barro molhado e estrume empesteava a vizinhança, apesar da chuva ter varrido a pior parte da sujeira. A jovem franziu o nariz, segurando a respiração enquanto caminhava. Por um momento, desejou que a tecnologia se difundisse também entre os plebeus.

Pararam logo a frente de uma estalagem simples com tijolos gastos. Sem nenhuma pergunta, o estalajadeiro os cumprimentou quando entraram. Sabia que este era o principal motivo da escolhe de Luke. Era um lugar onde grandes gorjetas significavam rápido esquecimento. Perfeito para aqueles que não queriam ser notados.

Assim que chegaram ao quarto de casal que haviam alugado, Alyvia sentou-se para tirar seus sapatos. Luke a observou em silêncio, parecendo entretido com algo que via. Apressando-o, ela pediu:

– Preciso de um papel e um lápis. Rápido.

Ele sorriu ao ver a expressão séria em seu rosto e atendeu seu pedido sem delongas. Com traços firmes, a jovem delineou aquilo que havia descoberto naquele dia. Enquanto o fazia, explicou:

– O catalisador esta localizado em um galpão próximo a Rern, cidade ao sul da capital. Tem uma casa de hospedagem a direita e um grande muro ao redor da propriedade. Durante o dia, haverá mais de trinta homens rondando o local, dentre eles alguns mercenários. À noite, maior parte se recolhe, deixando somente dez circulando o perímetro. Nenhum deles possui acesso a sala de máquinas.

– Certo. E qual o plano?

A jovem o observou, depois disse com simplicidade:

– Eles procuram por bruxas, não? Então serei uma delas.

– Ousado. – foi a única palavra dita pelo homem, que a observava com admiração.

Ela lhe ofereceu um meio sorriso, satisfeita com a resposta recebida. Sabia que ele possuía diversas perguntas, mas não as faria. Esperava que ela executasse a missão sozinha, provando seu valor. Tinha tudo planejado. Adorava surpreendê-lo e dessa vez sabia que não seria diferente. Não deixaria nenhuma brecha para que argumentasse contra o acordo feito entre eles.

– Quando? – ele perguntou, desviando seu olhar para o papel diante de si.

– Amanhã ao entardecer. Precisarei de você antes do amanhecer.

– Certo, nos encontraremos no terraço do galpão. Vou esperar até que soe a última badalada da hora seguinte. Este é seu teste final. Não me decepcione. – concluiu ele.

Sentiu um arrepio de excitação percorrer seu corpo enquanto sorria para ele. Mal podia acreditar que finalmente seria considerada digna de uma sociedade com aquele que era seu tutor e amante. Parecia que explodiria de felicidade. Era jovem e, graças aquele homem, bem sucedida. Sabia que seus contratos autônomos de alta confidencialidade, como ele os chamava, nada mais eram do que uma desculpa para roubar informações e tecnologia. Não se importava, com tanto que pagassem bem.

– Ah, e… Lyvie? – ela o fitou ao ouvir seu apelido carinhoso e ele continuou – Adorei o vestido.

O olhar faminto fez com que entendesse o significado de sua frase. Negócios encerrados. Agora era hora de diversão.

***

Alyvia sentiu suas pernas tremerem com fraqueza ao alcançar a porta que levava ao terraço do galpão. Abrindo-a, observou os arredores a procura de seu salvador. Ainda podia ouvir as vozes de seus perseguidores, mas não chegariam a tempo.

Voando sob o chão do terraço, viu um pássaro mecânico esperando-a, já com seu amor a bordo. Sua estrutura metálica era simples, sem nenhum tipo de revestimento. Na armação principal, acima das pequenas rodas, encontravam-se dois assentos de couro, o do piloto, ocupado por Luke, e outro logo atrás. As finas hélices, paralelas ao chão, giravam rapidamente, criando uma grande ventania ao seu redor.

Sem perder tempo, ela caminhou em direção a beirada do terraço, aproximando-se da aeronave. Seu futuro sócio imediatamente perguntou:

– Cadê o catalisador?

Alyvia abriu a mão que segurava o bracelete, mostrando-o para ele. Diferente dela, não pareceu surpreso ao ver que se tratava de um artefato mágico. Antes que pudesse colocá-lo em um lugar seguro, Luke o tomou de sua mão, observando-o com mais cuidado.

– Não temos tempo a perder. Preciso de sua ajuda pra subir, me dê sua mão.

Com um olhar pesaroso, ele disse:

– Desculpe, Lyvie querida, mas não posso me associar com alguém terá um retrato falado e uma recompensa por sua cabeça.

Os olhos da jovem se arregalaram. Fitou a porta, sabendo que a qualquer momento esta se abriria.

– Chega de brincadeiras! – pediu ela, com o coração agitado.

– Quem me dera estar brincando… – suspirou ele, aumentando a altitude do girocóptero – Mas entenda, minha querida, é uma questão de negócios. Foi bom enquanto durou.

Acenando para a loira, ele se despediu com um sorriso. O pássaro mecânico tornou-se mais distante no horizonte enquanto ela o observava, desconsolada. Ouviu o barulho de espadas sendo desembainhadas atrás de si, e uma voz masculina anunciou:

– Fim da linha, ladra. Renda-se.

Suspirando, ela ponderou suas possibilidades. Poderia render-se e ser torturada até a morte, ou poderia arriscar tudo em uma única tentativa. Sorriu para si mesma. Acenando para seus perseguidores, ela pulou.