Lançamento: Cyber Brasiliana de Richard Diegues

16/07/2010

Cyber Brasiliana, o novo romance sci-fi de Richard Diegues será lançado pela Tarja Editorial dia 22 de Julho a partir das 19 horas na Saraiva MegaStore do Shopping Pátio Paulista.

Vejam o release no site da Tarja: http://tarjaeditorial.com.br/tarja/?p=167

Leiam um trecho da obra: http://www.tarjaeditorial.com.br/tarja/amostras/Cyber_Amostra.pdf

Sobre o autor:

Richard Dieguesé escritor, editor e consultor tecnológico. Atualmente mora na cidade de São Paulo. Autor dos livros: Magia – Tomo I (1997), Sob a Luz do Abajur (2007)Tempos de AlgóriA (2010). Também é organizador e coautor dos livros Necrópole – Histórias de Vampiros (2005), Visões de São Paulo (2006), Necrópole – Histórias de Fantasmas (2006), Histórias do Tarô (2007), Necrópole – Histórias de Bruxaria (2007), de quatro volumes daColeção Paradigmas (2009/2010), além de co-autor dos livros Portal Fundação (2009), Livro Vermelho dos Vampiros (2009), Imaginários 1 (2009) e Cyberpunk – Histórias de Um Futuro Extraordinário (2010). Colaborou com diversos jornais, revistas e sites da Internet, além de participar ativamente de eventos na área de Literatura Fantástica.

Twitter do autor: @richarddiegues

Livro no skoob: http://www.skoob.com.br/livro/115329

Alguns locais onde comprar:

Livraria Cultura (com desconto no programa +Cultura)

Livraria Saraiva

Livraria Siciliano

Tarja Livros


Extraneus – Volume 1 – Medieval Sci-fi Lista de Selecionados

15/07/2010

Hoje saiu o resultado da seleção do concurso Estronho e Esquésito para a Coleção Extraneus – Volume 1 – Medieval Sci-fi.

Foram 58 contos enviados para este volume, e somente 7 seriam publicados.

Tenho a honra de informar que meu conto “A Ameaça Dracônica” foi escolhido para ser publicado!

Gostaria de parabenizar não só os selecionados, mas também a todos os que participaram! E para quem ainda não enviou seu conto, tem só mais 2 volumes, então é melhor se apressar!

Abaixo, segue a lista dos autores convidados + os selecionados (e seus contos):

Selecionados:

  • Cirilo S. Lemos – Dez lampejos do mulçumano de ferro
  • Cláudia Zippin Ferri – A Peste
  • Davi M. Gonzales – Mensagem a Pedro, o eremita
  • Gadiego Silvestrini – A sepultura do juízo final
  • Larissa Caruso – A ameaça dracônica
  • Rebis Kramrisch – Demônio das estrelas
  • Rudá Almeida – Aparição

Convidados:

  • Ana Cristina Rodrigues
  • Gianpaolo Celli
  • Leandro Reis
  • Leonardo Pezzella
  • Renato A. Azevedo
  • Rober Pinheiro
  • Simone O. Marques

Vício ou Evolução?

07/07/2010

Por: Larissa Caruso

Você é um dos milhões que usam a internet todos os dias? Qual sua reação quando ela não funciona ou está lenta? Fica irritado, ansioso talvez?

Segundo o site News24, o doutor David Lewis fez um estudo onde determinou que quase metade dos Britânicos sofrem desse mal que ele chama de discomgoogolation – uma mistura de Google com a palavra discombobulate, que significa confundir ou frustrar. A Superinteressante publicou um artigo chamado “Ficar sem net é o mesmo que ser roubado” relacionado à publicação da News24. Nesta matéria, a jornalista conclui que esse tipo de comportamento identifica um individuo viciado.

Em ambos os artigos, existem comparações como: ficar sem internet tem o mesmo efeito no cérebro do que estar uma hora atrasado para uma reunião importantíssima, internet é mais importante do que religião na vida de 47% das pessoas entrevistadas, ou até mesmo que um em cinco dentre esses indivíduos prestam mais atenção à internet do que ao seu parceiro(a).

Ao mesmo tempo, o artigo da Folha Online “Internet fortalecerá relações, dizem pensadores da rede” afirma que dentro de dez anos, a internet deve ser uma força positiva nas amizades, casamentos e outros relacionamentos do círculo social.

No campo da ficção científica, diversos livros e filmes abordam o tema de uma sociedade completamente dependente e/ou conectada à rede. Um exemplo que será lançado em breve é o livro Cyber Brasiliana do autor Richard Diegues, que será publicado pela Tarja Editorial (leia o um trecho aqui). Em sua maioridade, essa mudança é tratada como um passo evolutivo e não um vício. Alguns mostram as más consequências que tal avanço pode causar. Outros exploram os benefícios e a melhora em setores políticos, sociais e econômicos.

A questão, entretanto, não é o que acontecerá quando nos integrarmos com a rede, mas sim, quando isto se tornará realidade. Já caminhamos nessa direção. Não conseguimos ficar sem internet ou telefone celular. Até mesmo nossas TVs estão conectadas hoje em dia.

O mundo em que vivemos está com os dias contados, e não é porque nos aproximamos de 2012. Logo, o mundo virtual será aquele que daremos maior importância e se tornará a única realidade de nossas vidas.


NOVO MUNDO, NOVA VIDA

05/07/2010

Por: Larissa Caruso

Nota: Esse conto faz parte do universo do romance Nébula de um Buraco Negro, que pode ser lido através do link http://www.larissacaruso.com/nebula.pdf

Um homem alto encontrava-se em uma mesa metálica flutuante, com as finas membranas de seus glóbulos oculares fechadas.  Sua pele azulada possuía um tom esbranquiçado, indicando palidez para os de sua raça. As mãos de caranguejo eram restringidas por duas grandes bolhas de um gel amarelo, que o impediam de usar suas perigosas presas. Os sinais vitais e sua fisiologia eram monitorados por hologramas 3D, que indicavam um estado de repouso estável.

− Tempo estimado para o término de inserção de memórias: dois minutos e trinta e seis segundos. – anunciou o computador para a sala, enquanto os cientistas continuavam seu trabalho.

− E depois, o que ficará faltando? – perguntou o menos experiente, deixando aparentar seu nervosismo.

− Nada. Os pais foram informados de sua morte, juntamente com a de sua irmã. A nova identidade já foi inserida no sistema. Sua memória foi apagada e estamos terminando de reconstruí-la. Assim que finalizarmos a alocação do módulo fantasma em seu cérebro, poderemos liberá-lo.

− Qual seria esse módulo?

Em um tom exasperado, o homem respondeu ao novato:

− É um organismo sintético que inibe as sinapses, limitando a capacidade cognitiva do indivíduo.

O cientista mais jovem assentiu após o término da explicação, distraindo-se com o 3D que mostrava as informações neurais do paciente. Arregalou os olhos ao perceber seu potencial bruto e balançou a cabeça, exclamando:

− Marjeberz! Não é a toa que querem limitar a inteligência desse cara. O potencial bruto dele para desenvolvimento de atividades cognitivas é absurdamente alto.

− Sim. – respondeu o cientista sênior em um tom sombrio

Colocando suas informações na tela principal, ele observou tudo o que dizia seus arquivos e balançou a cabeça:

– Fraude, venda de informações confidenciais, quebra de sigilo profissional, desenvolvimento e venda de tecnologia ilícita, roubo, desvio comportamental, distúrbio psicológico nível 8… Eu não sei por que simplesmente não o levam pra prisão Crismaline, se ele realmente fez tudo o que é relatado em sua ficha.

− Provavelmente eles ainda têm algum plano envolvendo ele. O Centro de Pesquisas Avançadas de Alderon é extremamente frio e calculista. Você sabe bem disso.

− Sim, infelizmente. – confirmou, com um suspiro.

− E pra onde irão leva-lo? – perguntou o rapaz, demonstrando a pena que sentia daquele sujeito deitado em sua maca.

− Confidencial. Um ou dois dentro do CAPA sabem. Provavelmente algum deserto onde ele não possa causar muitos problemas. Talvez um dos planetas do Sistema Solar.

−A Terra? – perguntou, já que este era o único que lembrava.

− Ah. Eles não são estúpidos. Seria arriscado demais para os humanos e para a galáxia.

***

− Preparado para sua nova vida? – perguntou o rapaz da cabine, pegando o chip de dentro da caixa azul-metálica.

− Sim! – respondeu o homem com patas de caranguejo, demonstrando sua empolgação – Finalmente vou poder trabalhar com tecnologia. Eu não acredito nisso! Depois de anos sendo limitado pela minha família.

− Certo. Não se exalte. Os avanços desse planeta ainda são limitados e mesmo o Centro de Imigração não contará com muitos recursos. – advertiu o profissional, oferecendo-lhe seu melhor sorriso artificial.

Levando o chip até a têmpora do rapaz, ele observou o material se dissolvendo contra a pele azulada e inserindo-se dentro de seu cérebro. Logo em seguida, repetiu o processo com outro micro-objeto, colocando-o contra seu peito.

Sentiu seu corpo queimar enquanto seus órgãos vitais eram adaptados à vida naquele novo mundo que faria parte. No monitor 3D, viu algo crescendo dentro de seu torso, criando as modificações necessárias para que sobrevivesse sem ajuda de nenhum outro equipamento.

Assim que a sensação de mal estar o deixou, sabia que estava pronto. Respirou fundo, tentando conter a ansiedade dentro de si. Por anos havia sido privado de uma vida interessante em seu planeta natal. Sabia que possuía um grande potencial, entretanto, seus pais não permitiam que o desenvolvesse. Após a morte da irmã, tornaram-se ainda mais protetores e zelosos.

Sentia-se mal por tê-los deixado às escondidas, mas não tivera outra escolha. Não desperdiçaria todo o tempo que possuía em uma vida sem graça e primitiva. Havia aceitado um trabalho ruim e mal pago, normalmente oferecido à ex-criminosos. Seria maltratado e menosprezado. Nada disso importava para ele, entretanto. Como engenheiro chefe, tomaria conta do centro de pesquisa e finalmente colocaria suas mãos em alguns equipamentos avançados. Mais que isso, estaria ajudando a Confederação de Planetas da Via Láctea a manter a paz e a ordem em seu novo lar.

− Qual o seu nome, rapaz? – perguntou o instrutor, sorrindo de maneira artificial.

− Daelus Poshr. – respondeu, acionando os dedos biônicos de sua pata direita, para poder cumprimenta-lo com um aperto de mão.

O responsável por sua relocação ignorou o gesto, focando sua atenção no pequeno computador de bolso que segurava.

− Certo, certo. O Centro de Imigração já foi informado de sua chegada. Seu pacote de boas vindas e chips informativos estarão com a secretária Mincy Shnoper.

− E para onde estou indo? – perguntou, ansioso.

− Para a Terra.


Imaginários – Volume 3

01/07/2010

A Editora Draco está com diversos projetos interessantíssimos nesse segundo semestre de 2010 e esse é um que  vale a pena citar!

Imaginários – Volume 3


Será lançado na Fantasticon 2010 (27,28,29 de Agosto) e conta com incríveis autores nacionais. Segue a lista:

  • Ana Cristina Rodrigues
  • Cirilo S. Lemos
  • Douglas MCT
  • Eduardo Spohr
  • Fábio Fernandes
  • Fernando Santos de Oliveira
  • Lidia Zuin
  • Marcelo Ferlin Assami
  • Marcelo Galvão
  • Rober Pinheiro

Clube do Livro: Saraiva Center Norte SP

22/06/2010

Georgette Silen, Rober Pinheiro e Renato A. Azevedo serão os mediadores dessa grande iniciativa que levará aos leitores uma interessante discussão sobre Literatura Fantástica. O foco será a obra de Isaac Asimov “Eu, Robô”, mas temos certeza que esse será só o começo de uma ótima tarde literária.

Sobre os mediadores:

Georgette Silen – organizadora das antologias O Grimoire dos Vampiros e UFO – Contos Não identificados. Há pouco tempo formou uma parceria com a Cidadela Editorial para a criação das coletâneas gratuitas Histórias Fantásticas (em 4 volumes, sendo que o volume 2 esta aceitando o envio de contos para serem avaliados). Recentemente anunciou a publicação de seu livro impresso “Lázarus” pela Editora Novo Século.

Rober Pinheiro – Autor do romance de fantasia moderna “Lordes de Thargor” e autor convidado de diversas coletâneas (Extraneus – Medieval Sci-Fi, Histórias Fantásticas 2, etc.)

Renato A. Azevedo – Autor do livro de ficção científica “De Roswell a Varginha” pela Tarja Editorial, consultor da Revista Ufo e autor convidado de diversas coletâneas (Extraneus – Medieval Sci-Fi, UFO – Contos Não Identificados, etc.)


DIFÍCIL RECOMEÇO… OU TALVEZ NÃO.

21/06/2010

Por: Larissa Caruso

O homem de estatura baixa, com uma barriga proeminente, abriu a porta do hangar, dando um passo em direção à rua. Seus poucos cabelos esvoaçavam com brisa vespertina da cidade de Austin, Texas. Com olhos curiosos, ele observou aqueles que residiam em seu novo lar. A escolha de vestuário da maioria dos habitantes era limitada. Ao examinar mais de perto, percebeu a inexistência de qualquer tipo de ferramenta que os proporcionasse com uma mudança rápida de roupa. Olhou para o pequeno botão azul no colarinho de sua camisa e tentou se imaginar um dia inteiro sem modificar suas vestimentas de acordo com a ocasião, ou o clima. Faz uma careta, condenando tal possibilidade.

Virou-se para examinar a vitrine de uma loja e, examinando seu reflexo, percebeu que estava parecido com os terráqueos. Observou o bracelete em seu pulso e amaldiçoou seu destino. Nem assim conseguia sentir-se atraente. Em seu planeta, era visto como um ser pouco viril, devido ao fato de possuir em seu tronco somente três bolsas de armazenamento de ahsuere, o líquido vital para a reprodução de sua espécie. Sendo pequeno e mirrado, não era bem quisto. Aqui, dificilmente seria diferente. Frustrado, suspirou, e continuou sua caminhada.

O bracelete que usada chamava-se ARC, Alderon Reestruturador Conduíte. Era utilizado para esconder a aparência real dos alienígenas que viviam entre os seres primitivos de planetas menos desenvolvidos. Os humanos nem sequer imaginavam o que os esperava na galáxia a fora. Achavam que a vida se limitava a esse buraco primitivo, quando, na verdade, existia até mesmo um governo que unificava todos os planetas habitados da Via Láctea.

Não havia sido sua escolha mudar-se para a Terra, mas era uma opção melhor quando comparada à prisão Crismaline. A pior parte para ele era, talvez, não ter o contato com a tecnologia que o provia com tanto conforto e conveniência.  Criminosos como ele, poderiam receber uma segunda chance e serem enviados para planetas primitivos, onde trabalhariam em setores públicos menos quistos do governo intergaláctico. Em seu caso, seria o responsável pelo Departamento de Controle de Imigrantes no Centro de Imigração Intergaláctica de Austin. Seu trabalho era manter os alienígenas que moravam na Terra sob controle. Ele os monitoraria para ter certeza que não burlariam ou desrespeitariam as regras impostas pela Confederação de Planetas da Via Láctea.

Com as mãos nos bolsos e um olhar cabisbaixo, ele continuou a caminhar, procurando por algum sinal de tecnologia avançada neste lugar. As propagandas eram feitas com grandes cartazes na rua, extremamente ineficaz e sujo quando comparado ao método holográfico e customizado de muitos planetas. Os meios de transporte eram grandes e limitados ao chão. Os poucos que rondavam os céus faziam barulho demais e pareciam ser incapazes de voar acima de certa altura.

Ouviu um alto assovio e perguntou-se se seu bracelete estava na frequência certa para traduzir a linguagem utilizada por aqueles seres. Olhando em direção ao barulho, percebeu que uma fêmea o observava de maneira intrigada. Perguntou-se se havia esquecido algum comando ou preparação pós-chegada. Suas sobrancelhas arquearam quando ela continuou a fita-lo. Sentiu-se intimidado por aquele tipo de comportamento. Não parecia algo normal.

Gotas de suor escorreram em seu rosto, revelando o nervosismo que se acumulava dentro de si. Direcionando o olhar para frente novamente, apertou o passo, continuando sua caminhada. Dispôs-se a cruzar uma larga avenida, interessado em uma visão diferente do local. Barulhos estrondosos de buzinas soaram de repente, enquanto grandes máquinas zuniram em alta velocidade ao seu redor, ignorando sua presença. Um transporte alto e retangular, que mais parecia um container, quase o acertou, mas ele desviou no último minuto. Correndo para o outro lado, procurou abrigo no conforto daquele piso diferente, mais alto e menos assustador.

Sentia-se ultrajado. Que tipo de lugar era esse que não respeitava os seres que lá habitavam? Deveria ter lhe dado passagem. Poderiam ser mandados para a tão temerosa prisão Crismaline caso fossem responsáveis por uma tragédia. Talvez tivesse sido uma má idéia a decisão de conhecer a vizinhança antes de receber o chip com informações sobre seu novo lar. Estes seres eram difíceis demais de serem decifrados, diferente da maioria dos habitantes de outros planetas que visitara durante sua vida. Seus pensamentos foram interrompidos por uma voz feminina que perguntou:

– Você esta bem?

Ela era uma mulher alta, com duas pequenas bolsas de armazenagem vital na parte superior de seu torso. Não eram muito grandes ou alongadas, mas bonitas o suficiente para alguém como ele. Diferente das fêmeas que convivera, ela as expunha de forma sutil, deixando os dois primeiros botões de sua blusa desabotoados. Pareciam firmes, como se mantidos naquela posição por algum tipo de acessório.

– Oie? Eu estou falando com você. – insistiu a moça, com ligeira exasperação.

– Estou bem. – respondeu ele, incapaz de desviar a atenção dos firmes seios que se encontravam em seu peito.

– Você não parece muito bem. Devo chamar um médico? – ofereceu gentilmente enquanto deu um passo para frente, ficando mais próxima do homem.

Finalmente ele elevou seu olhar ao rosto feminino, fitando-o. A mulher lambeu os lábios, observando-lhe de um jeito quase bestial. Incapaz de responder balançou a cabeça negativamente. Aproveitando a brecha, ela aproximou-se ainda mais, quase colando seu corpo contra o dele. Parecia querer devorá-lo, literalmente. Talvez o tivessem colocado em um planeta carnívoro? Não, não… esses foram banidos da Confederação há muitos séculos atrás.

Ainda sim, não conseguia entender seu comportamento. Era o suor escorrendo em seu corpo, ou talvez a bolsa proeminente na parte inferior do torso em sua aparência humana que o tornava desejável? Antes que pudesse concluir seu raciocínio, sentiu os lábios da fêmea tocando os seus. A língua, molhada e flexível, enfiou-se em sua boca, invadindo-a. Uma mão agarrou sua nuca, forçando-o ainda mais próximo dela.

Queria libertar-se daquela coisa nojenta. Sentia que, cada vez que seu coração aumentava o ritmo, ela se tornava mais determinada a engoli-lo naquele ato sujo e primitivo. Ao mesmo tempo, existia algo que se remexia dentro dele, como se um fogo que aos poucos fosse liberado. Desesperado, empurrou a moça para longe. Em seguida, correu na direção oposta. Precisava voltar para o escritório. Era necessário entender essa raça antes de interagir com eles.

Viu a entrada do seu atual local de trabalho a poucos metros e sentiu-se aliviado. Adentrou o pequeno prédio, fechando a porta com violência. Todos o observaram sem entender o que se passava. Com os olhos arregalados e a respiração ofegante, ele se encostou contra a parede, procurando recuperar-se.

– Sr. Lorns? – perguntou uma mulher de aparência translucida cintilante. Ela flutuava, com seus cabelos lilás balançando como ondas na água.

– Sim? – respondeu ele, tentando parecer em controle da situação.

– Estávamos esperando o senhor há meia hora. – ela informou, estendendo a mão com uma pequena caixa metálica – Aqui está o seu chip e as informações pertinentes ao seu novo cargo. Seja bem vindo.

– Obrigado. – respondeu ele, estufando o peito enquanto pegava o objeto.

– A sua sala é a primeira à esquerda. – informou a mulher, em um tom gentil.

Sem maiores comentários, ele se dirigiu até onde havia sido indicado, entrando no pequeno espaço reservado para ele. Tinha somente 10 metros quadrados, o mesmo tamanho que a maioria dos banheiros em seu planeta. Ainda sim, não podia queixar-se. Pelo menos se sentia seguro lá.

Pegando o pequeno chip de dentro da caixa, ele o examinou por um momento antes de colocá-lo contra sua têmpora esquerda. Assim que o objeto tocou sua pele, tornou-se um liquido viscoso que logo desapareceu. Sentindo-o integrar-se com seu cérebro, ele se sentou, um pouco desorientado. Diante de seus olhos passaram-se imagens e conhecimentos locais, assim como todo o ciclo evolutivo da humanidade.

Em questão de minutos, ele aprendeu sobre os costumes, o vestuário, a geografia… tudo o que um humano deveria saber até seus trinta anos. Sentiu o mesmo fogo de antes tomando seu corpo quando entendeu o significado do que a mulher havia feito. Era um beijo. Algo preliminar ao acasalamento, na maioria das vezes. Aquele tipo de ação não era praticado entre seu povo. Caso estivesse interessada em procriar, bastava que a fêmea demonstrasse seu interesse apalpando com firmeza um dos sacos de armazenamento vital.

Concentrando-se, tentou entender o que havia feito a mulher agir de tal forma. Segundo seus conhecimentos da cultura humana, existia um período de flerte antes da passagem para um ato tão intimo e cheio de libido como um beijo de língua. Pensou no computador central do escritório…qual era seu nome? Lembrando-se, ordenou:

– Lucy, procure a correlação entre o beijo e minha fisiologia.

– Claro, senhor Lorns. – respondeu uma voz feminina computadorizada.

Enquanto esperava o resultado da análise, observou os móveis de seu escritório e também os pertences que lá se encontravam. Teria muito que se adaptar. Seria um difícil recomeço.

Um gráfico apareceu diante de seus olhos, com uma tela ao lado indicando sua composição fisiológica. Circulado em vermelho estava androstadienone, um feromônio responsável pela defesa de sua raça, liberado em alta quantidade durante momentos de estresse intenso. Ao lado, encontrava-se uma ficha informando a composição humana. A explicação sobre a atração que ocorria entre os sexos estava destacada. O texto indicava a mesma substância química como responsável pela produção de um alto nível de cortisol nas fêmeas, diretamente relacionado ao estimulo sexual feminino.

De repente, um leque de possibilidades se abriu diante seus olhos.

– Talvez não seja um recomeço tão difícil assim… – murmurou em voz alta para si mesmo, permitindo que um sorriso aparecesse em seu rosto.

Nota: Esse conto faz parte do universo Nébula de um Buraco Negro, romance policial de ficção científica criado por mim. Lorns é um dos interessantes  funcionários que trabalham no escritório de Logan Marshall, protagonista da obra.

Para ler o romance, clique aqui.